Arquidiocese convoca fiéis para gesto concreto de solidariedade no Domingo de Ramos

24/03/2026

Arquidiocese convoca fiéis para gesto concreto de solidariedade no Domingo de Ramos

Em 2025, iniciativas fortalecidas pela Coleta da Solidariedade ajudaram a mobiliar 272 casas e garantir condições mínimas de habitabilidade; para este ano, a meta é ampliar o alcance e atender ainda mais pessoas em situação de vulnerabilidade.

 

 

A solidariedade pode começar com um gesto simples e ganhar alcance nacional. No próximo domingo, dia 29, durante as celebrações do Domingo de Ramos, fiéis de todas as paróquias da Arquidiocese de Porto Alegre serão convidados a transformar reflexão em ação concreta por meio da Coleta Nacional da Solidariedade, iniciativa que integra a Campanha da Fraternidade 2026.

 

Promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a coleta mobiliza comunidades em todo o país e marca um dos momentos mais significativos do calendário quaresmal. Mais do que uma contribuição financeira, o gesto é apresentado pela Igreja como expressão de compromisso com a realidade social brasileira e, neste ano, especialmente voltado à questão da moradia digna.

 

O tema escolhido para a Campanha da Fraternidade 2026 lança luz sobre um cenário alarmante: milhões de brasileiros ainda vivem sem condições adequadas de habitação. Para o arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Cardeal Spengler, a proposta é provocar consciência e corresponsabilidade.

 

“Durante esta quaresma, nós fomos convidados a refletir sobre um tema com um viés social que marca a vida de tantos brasileiros. São 6 milhões de pessoas que não têm o mínimo de dignidade para uma moradia. A campanha nos abre os olhos para este drama humano e social e, como cristãos, não podemos dizer que isso não é conosco”, afirma.

 

Segundo ele, parte dos recursos arrecadados permanece na própria arquidiocese e será destinada diretamente a famílias em situação de vulnerabilidade. “Não podemos atender a todos, mas queremos ajudar concretamente uma família, uma realidade que precisa do mínimo para viver com dignidade”, destaca, ao reforçar o apelo pela participação dos fiéis.

 

A coleta integra o conjunto de arrecadações especiais realizadas ao longo do ano pela Igreja e tem destinação compartilhada: 40% da arrecadação é encaminhada ao Fundo Nacional de Solidariedade, enquanto 60% permanece nos fundos diocesanos, financiando projetos locais.

 

Aplicação dos recursos na arquidiocese

Em unidade com a CNBB, na Arquidiocese de Porto Alegre a coleta é realizada em todas as paróquias. Os recursos são centralizados na administração da Mitra e destinados a apoiar iniciativas que dialogam com o tema de cada ano. O objetivo é sempre financiar projetos que promovam os direitos fundamentais da pessoa, em fidelidade ao evangelho e ao mandato de Jesus: "Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância" (Jo 10,10).

 

De acordo com Elton Bozzetto, coordenador da dimensão sociotransformadora, a iniciativa vai além da assistência imediata e busca estruturar respostas mais amplas.

 

“A coleta da solidariedade é uma convocação da Igreja no Brasil. É expressão de comunhão e compromisso fraterno, especialmente no cuidado com as pessoas sem teto, que está no coração da Igreja e dos cristãos”, explica.

 

Bozzetto lembra que, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade deste ano, juntamente com a Coordenação de Pastoral da Arquidiocese de Porto Alegre, foi informado a todas as paróquias o destino da coleta de 2026. Entre as ações previstas, reforça ele, estão três frentes principais: a promoção de processos educativos sobre moradia e o mapeamento do déficit habitacional nas comunidades; a formação de lideranças para atuação em conselhos de políticas públicas, com foco em habitação social; e o fortalecimento as ações do Mensageiro da Caridade que, somente no ano de 2025, mobiliou 272 casas de pessoas que não tinham condições de habitabilidade e vida digna. A meta é ampliar esse atendimento com auxílio direto às famílias em situação de vulnerabilidade social.  “Cuidar da casa é viabilizar moradia digna para as pessoas”, resume Bozzetto.

 

Realizada em todas as comunidades do país no Domingo de Ramos, a coleta é organizada, na arquidiocese, pela Coordenação de Pastoral, pela Mitra e pela Dimensão da Ação Sociotransformadora. Segundo Elton, a expectativa é de que o gesto, repetido em todas as paróquias, reforce o papel da fé como instrumento de transformação social, especialmente em um dos temas mais urgentes da realidade brasileira.

 



Autor:
Greice Pozzatto

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