02/03/2026
Comunhão e renovação marcaram a Assembleia Eletiva do Diaconado Permanente da Arquidiocese de Porto Alegre, realizada no sábado, 28 de fevereiro. O encontro reuniu diáconos permanentes atuantes em diversas paróquias da arquidiocese e contou com a presença do arcebispo Dom Jaime Cardeal Spengler, do bispo referencial para o diaconado permanente na arquidiocese, Dom Juarez Albino Destro, bem como da coordenação atual.
Durante a assembleia foi eleita a lista tríplice que será analisada pelo Conselho dos Bispos e, após o processo de discernimento, ratificada pelo arcebispo. Os nomes indicados na lista tríplice foram:
Diác. Carlos Ronei Duarte dos Santos; Diác. Eduardo da Rosa; e Diác. José Salvadir Nunes de Azevedo.
O bispo referencial para o diaconado permanente na Arquidiocese, Dom Juarez Albino Destro, acompanhou a assembleia e explicou o processo que seguirá a partir de agora:
“A partir das três indicações dos nomes escolhidos hoje, haverá a escolha do coordenador dos diáconos e, depois, este, juntamente com os demais diáconos, formará a equipe que vai seguir o trabalho.”
Entre os principais desafios da nova gestão, Dom Juarez destacou a necessidade de atualização do regimento. “Um dos grandes desafios é atualizar o atual regimento, que já tem muitos anos. A partir do estatuto da CNBB e do Regimento do Regional Sul 3, que já foram atualizados, nós também, na Arquidiocese, queremos atualizar o nosso regimento dos diáconos permanentes.”
Avaliando a gestão
Ao concluir seu mandato à frente da coordenação, o diácono Walter Jr., que esteve no serviço entre 2021 e 2025, fez uma avaliação dos últimos quatro anos, destacando conquistas importantes para o fortalecimento do diaconado permanente na Arquidiocese.
Entre os principais marcos, apontou a consolidação da Escola Diaconal São Lourenço, que passou a ter identidade própria. “A Escola Diaconal se desmembrou da formação da Escola de Novo Hamburgo, e hoje nós temos uma escola que caminha conforme a realidade da Arquidiocese. Isso foi um anseio do senhor arcebispo”, afirmou. Atualmente, os encontros formativos ocorrem mensalmente no Seminário de Viamão, garantindo unidade e continuidade no processo de preparação dos candidatos.
Outro dado significativo foi o crescimento no número de diáconos permanentes ao longo da gestão. “Nós éramos em torno de 61 membros do diacônio, e hoje estamos com 82”, destacou, ressaltando a ampliação da presença do ministério nas comunidades.
Walter também recordou a atuação dos diáconos em momentos desafiadores, especialmente durante as enchentes de 2024. “Muitas comunidades se destacaram em ajudar os necessitados. Ressalto a Paróquia Cristo Rei, que oferecia alimentação ao povo pela manhã, ao meio-dia, à tarde e à noite”, relatou, evidenciando o compromisso concreto com os que mais sofreram.
Ele lembrou que diversos diáconos também foram atingidos pelas cheias, mas ressaltou o espírito de solidariedade que marcou aquele período. “Nós temos o nome de diacônio, mas eu prefiro dizer que hoje avançamos não como um diacônio, mas como uma família”, afirmou.
Segundo Walter, esse espírito de comunhão ultrapassa o âmbito organizacional e envolve também as famílias. “O diacônio não vive em um aquário, não vive em uma ilha. Vive em comunhão com o arcebispo, com os bispos referenciais e com o padre referencial”, concluiu, reforçando a dimensão eclesial e comunitária do ministério.
Acolhida marcada pelo espírito de família
A assembleia foi realizada na Paróquia Imaculada Conceição, que acolheu os participantes em clima de proximidade e comunhão. À frente da recepção estiveram o diácono Adriano Tadedo, ordenado há dois anos, e sua esposa, Cíntia Brito, que colaboraram na organização e na acolhida dos convidados, expressando o espírito de serviço que caracteriza o diaconado permanente.
Adriano manifestou a alegria de sediar o encontro e receber o arcebispo, o bispo referencial e os demais diáconos. “Receber Dom Jaime, Dom Juarez e todos os colegas diáconos em nossa paróquia é uma grande alegria. Nossa casa está sempre de braços abertos para acolher esse grupo que é tão importante para a vida da Igreja”, afirmou.
Ao destacar a vivência familiar do ministério, Cíntia sublinhou que o chamado ao diaconato envolve toda a família. “Tenho certeza de que é uma bênção de Deus ter um diácono em casa. Quando há o convite para o diaconato, toda a família é envolvida. Caminhamos juntos, oferecendo apoio no que é necessário. E Deus cuida de tudo”, disse.
A presença e a colaboração das esposas, inclusive na organização da acolhida, reforçaram um dos aspectos mais evidentes ao longo da assembleia: o diaconado permanente é um ministério vivido em comunhão, no qual vocação, família e serviço à comunidade caminham juntos.
“Gostaria que cada comunidade tivesse seu diácono”
Em sua fala aos diáconos, arcebispo metropolitano, Dom Jaime Cardeal Spengler, destacou a importância do trabalho que desenvolvem e recordou um desejo manifestado desde o início de seu ministério na capital gaúcha: “Desde que assumimos a Arquidiocese de Porto Alegre, em 2013, eu venho dizendo que gostaria que cada comunidade tivesse um seu diácono. É um caminho que precisamos percorrer, sim, diante dos desafios dos tempos atuais.”
Dom Jaime também ressaltou os avanços na formação, especialmente com a consolidação da Escola Diaconal e a implantação do ano propedêutico: “Introduzimos um ano de propedêutico para a avaliação dos possíveis candidatos ao diaconado permanente, para que também possam ter uma visão melhor do que significa ser diácono, que vive a dupla sacramentalidade na Igreja. Isso tem nos ajudado muito.”
O arcebispo destacou frutos do trabalho realizado na gestão que se despede, como a organização da escola diaconal. “A gestão anterior fez um trabalho muito bom, sobretudo na organização da escola diaconal, na implantação do propedêutico, na dinâmica desses espaços. Somos gratos à coordenação que encerra o seu período de serviço.”
Ele ainda manifestou expectativa quanto à nova equipe, de que ela contribua na evangelização. “Esperamos que a nova coordenação possa nos ajudar a não só desenvolver o próprio diacônio, mas cooperar na promoção da obra da evangelização.”