13/11/2025
O arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Cardeal Spengler, está participando da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém (PA). Além de conduzir a Arquidiocese de Porto Alegre, Dom Jaime é também presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), representando a Igreja Católica no diálogo global sobre o futuro do planeta e o cuidado com a criação.
Conforme entrevista concedida à Rádio Vaticano – site Vatican News, o cardeal destacou a importância de reconhecer “a dignidade da obra da criação” e de levar adiante as propostas da Igreja com espírito colaborativo e esperançoso durante a conferência. “Onde há abertura de mente e de coração, há diálogo franco”, afirmou Dom Jaime, ressaltando que a escuta mútua e a disposição para trabalhar juntos são caminhos possíveis para responder à crise climática e social que o mundo enfrenta.
A tarde da quarta-feira, 12 de novembro, foi marcada por um dos momentos mais significativos da presença católica na COP30: o Simpósio Internacional – Igreja Católica na COP30, que reuniu bispos, cientistas, lideranças religiosas e representantes de povos originários. O encontro teve como objetivo refletir sobre os caminhos da ecologia integral, da justiça climática e da conversão ecológica, temas inspirados na encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco.
Segundo Dom Jaime, o Simpósio mostrou que é possível construir pontes e sonhar com um futuro comum: “Percebemos que as preocupações e os desafios são semelhantes em diferentes partes do mundo. O diálogo entre fé, ciência e sabedoria dos povos originários nos faz acreditar que, se formos capazes de sonhar juntos, esse sonho pode se tornar realidade. Como dizia Dom Helder Câmara, sonhar juntos é o primeiro passo para transformar o mundo”, afirmou o cardeal.
Em sua fala, Dom Jaime também destacou o caminho percorrido pela Igreja no Brasil em preparação à conferência, lembrando ações como as pré-COPs regionais e as Campanhas da Fraternidade de 2024 e 2026 — dedicadas à ecologia integral e à moradia digna, respectivamente. “O Brasil ouviu falar da COP, mas também se preparou espiritualmente e pastoralmente para ela. Nossas comunidades rezaram e refletiram sobre o cuidado com a Casa Comum, alimentando a corresponsabilidade social”, observou.
Apesar de reconhecer o clima de incerteza em alguns setores, Dom Jaime afirmou que a Igreja segue esperançosa: “Não podemos nos deixar levar pelo pessimismo. As propostas estão postas. O desafio agora é levá-las adiante com espírito de estadistas, buscando o bem comum e a vida plena para todos”, concluiu.
A presença do cardeal Spengler na COP30 expressa o compromisso da Igreja Católica no Brasil e na América Latina com o diálogo, a justiça climática e a construção de um mundo sustentável, justo e solidário — em fidelidade ao Evangelho e ao chamado do Papa Francisco a cuidar da Casa Comum.
Celebração Eucarística e chamado à conversão interior
Nesta quinta-feira, 13 de novembro, Dom Jaime celebrou missa na Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, momento que expressou o caráter espiritual e pastoral da presença da Igreja na COP30. Em sua homilia, conforme notícia publicada no site da CNBB, o arcebispo convidou à conversão interior diante da crise ambiental e humana, lembrando que a mudança verdadeira começa no coração de cada pessoa e na forma como nos relacionamos com Deus, com os outros e com a criação.
Dom Jaime ressaltou que a reconciliação é o caminho para que a vida possa renascer e que o cultivo de relacionamentos saudáveis é essencial para reconstruir o tecido social ferido pela indiferença. “Para curar relacionamentos, é preciso abertura de mente e coração, generosidade e humildade para reconhecer a necessidade de conversão e perdão”, afirmou.
Inspirando-se no Evangelho, o cardeal refletiu sobre duas formas de compreender o poder: a de Herodes, centrada na dominação e na violência, e a de José, sustentada pela escuta e pela obediência. “Herodes representa um poder tirânico de morte. Nesse mundo, vale tudo, desde que o próprio poder esteja garantido”, alertou. Ele lembrou que esse mesmo espírito ainda se manifesta hoje em estruturas que promovem medo, desigualdade e destruição ambiental, advertindo que “a arrogância brutaliza e cega”.
Com base no chamado bíblico “Levante-se!”, Dom Jaime exortou os fiéis a romperem a passividade diante da injustiça e da devastação ambiental. “Uma conversão do coração à vida é urgente. Sim, a vida está implorando por atenção, respeito, cuidado e promoção”, destacou.
Encerrando sua homilia, o cardeal voltou o olhar para Nossa Senhora de Nazaré, exemplo de fé vivida com ternura e esperança, pedindo sua intercessão pelos líderes mundiais e por todos os que buscam o bem comum. “O cuidado da vida requer oração, atenção e prontidão, não agitação”, concluiu.