Curiosidades: Você sabia que a Catedral Metropolitana de Porto Alegre levou mais de meio século para ser concluída?

13/01/2026

Curiosidades: Você sabia que a Catedral Metropolitana de Porto Alegre levou mais de meio século para ser concluída?

     Estamos inaugurando um novo espaço de curiosidades: o “Você sabia?”
     Nesta série especial, vamos contar um pouco da história da Arquidiocese, apresentar figuras importantes da nossa caminhada de fé e revelar detalhes que ajudam a compreender a riqueza do nosso patrimônio religioso, cultural e histórico.

     Acompanhe esta série e descubra fatos, memórias e símbolos que fazem parte da identidade da Igreja em nossa Arquidiocese. Iniciamos com uma curiosidade sobre a nossa Catedral Metropolitana, coração da vida pastoral e espiritual de Porto Alegre.

 

 

Você sabia que…

a Catedral Metropolitana de Porto Alegre levou mais de meio século para ser concluída?

 

Situada na Praça Marechal Deodoro, ou Praça da Matriz, como nos tempos antigos, a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Madre de Deus se destaca por sua importância religiosa, valor arquitetônico e cultural. Construída em estilo neorrenascentista, a cúpula majestosa de 65 metros de altura foi pensada para ser vista de vários pontos da cidade.

 

A história da Catedral acompanha de perto a capital gaúcha. A meados do século XVIII, Porto Alegre era um território de passagem, recebendo temporariamente famílias açorianas que aguardavam o traslado em direção às Missões. Logo, surgiu uma capelinha em devoção a São Francisco que, em 26 de março de 1772 foi elevada à categoria de freguesia. No ano seguinte, a padroeira da igreja passou a ser Nossa Senhora Madre de Deus.

 

A construção

 

A construção da catedral atual começou oficialmente em 1921, após décadas de projetos. O arquiteto italiano Giovanni Battista Giovenale supervisionou a obra de longe, a partir de imagens fotográficas, até 1934, quando faleceu. A conclusão total aconteceu em 1986, com a consagração oficial da igreja. Em 7 de agosto de 2021, a Catedral celebrou os 100 anos do lançamento de sua pedra fundamental, marco que resgata e valoriza a longa trajetória de construção e cuidado com esse patrimônio da cidade. A data ficou marcada pela publicação do livro “Das Pedreiras às Torres e Carrancas: Uma Nova Catedral para Porto Alegre”, disponível no site da Catedral e pode ser acessado clicando aqui

 

Tanto interna quanto externamente, o estilo impressiona pela elegância e harmonia das proporções. Mas são os alicerces e o todo o revestimento externo que valorizam a identidade cultural, pois foi utilizado o granito rosa extraído de três pedreiras porto-alegrenses.

 

 

Patrimônio histórico de Porto Alegre

 

Em 2009, a Catedral e o prédio da Cúria Metropolitana foram tombados pelo patrimônio histórico de Porto Alegre, reforçando seu valor cultural e religioso.

 

De acordo com a historiógrafa da Arquidiocese de Porto Alegre, Vanessa Campos, a expressão histórico-cultural da Catedral transcende a própria expressão religiosa, pois integra um conjunto de símbolos da cidade. “Ao adentrarmos nos corredores do templo, sentimos a grandiosidade da obra humana, mas também experimentamos a transcendência de nosso existir”, destaca.

 

No entanto, explica Vanessa, as características externas nos remontam a processos que envolveram as ideias do Arcebispo da época, Dom João Becker, assim como o Diretor das Obras, Mons. João Maria Balen e o arquiteto Giovenale. “Enquanto Becker ansiava por uma cúpula gigantesca e uma cripta que tivesse duas entradas, Balem se importava com o estilo renascentista ‘das belas igrejas romanas’. Giovenale, por sua vez, entregou-se aos encantos do granito rosa e imprimiu sua arte no único templo que projetou fora da Europa. A união de todos esses elementos torna a Catedral de Porto Alegre um exemplar único”, conta.

 

Segundo Vanessa, a construção da Catedral que existe hoje em Porto Alegre integrou o conceito que vigorava nos inícios do século XX: modernização da cidade. “Embora tenhamos perdido um templo exemplar do século XVIII, com a demolição da antiga matriz, devemos entender que as decisões dos sujeitos se deram em contextos históricos bem diferentes do nosso. Naquele momento, Porto Alegre estava em plena expansão populacional, industrial e comercial, que se refletia na construção de grandes edifícios públicos e particulares, que ostentassem, inclusive, a riqueza circulante. A estância eclesiástica não ficou de fora, e a nova Catedral da cidade tomou forma, contando com muita contribuição”, explica.

 

A história da construção é contada através de registros fotográficos e documentos inéditos sobre o processo de construção do novo templo no livro “Das Pedreiras às Torres e Carrancas: Uma Nova Catedral para Porto Alegre”, no formato digital, disponível no site da Catedral e pode ser acessado clicando aqui

 

 

Fotos retiradas do livro “Das Pedreiras às Torres e Carrancas: Uma Nova Catedral para Porto Alegre”

 



Autor:
Greice Pozzatto

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