Dom Jaime Cardeal Spengler destaca responsabilidade dos católicos na política durante diálogo sobre eleições de 2026

03/09/2026

Dom Jaime Cardeal Spengler destaca responsabilidade dos católicos na política durante diálogo sobre eleições de 2026

Os desafios relacionados às eleições de 2026 e a contribuição da Igreja Católica para a formação da consciência cidadã estiveram no centro do programa especial “Igreja e Política – Diálogo dos Cardeais do Brasil”, realizado na quarta-feira, 2 de setembro, diretamente dos estúdios da Rede Vida, em Brasília (DF). A iniciativa reuniu sete cardeais brasileiros para refletir sobre política, eleições e participação cidadã à luz do Evangelho, do Magistério e da Doutrina Social da Igreja.

 

Participaram do programa dom Odilo Pedro Scherer, dom Orani João Tempesta, dom Jaime Spengler, dom Sérgio da Rocha, dom Paulo Cezar Costa, dom Raymundo Damasceno Assis e dom João Braz de Aviz. Apresentado pelo jornalista Paulo Júnior, o programa foi transmitido ao vivo, com duas horas de duração, e teve como proposta oferecer elementos para a reflexão sobre a realidade brasileira, incentivando o diálogo, a responsabilidade e o compromisso com o bem comum.

 

Durante o encontro, o arcebispo de Porto Alegre e presidente da CNBB, Dom Jaime Cardeal Spengler destacou a dimensão social da participação política e a responsabilidade dos cristãos diante dos desafios da sociedade. Ao abordar a relação entre política e caridade, recordou que a atividade política deve estar voltada à promoção e ao cuidado com o bem comum. Também chamou atenção para a crise vivida atualmente pelas democracias, marcada, entre outros fatores, pela polarização política, pela perda de confiança nas instituições e pela disseminação de desinformação nos ambientes digitais.

 

Para o cardeal, a participação política constitui uma forma de responsabilidade social e cristã. Nesse sentido, os cidadãos são chamados a avaliar pessoas, projetos e propostas, considerando sua capacidade de promover justiça, dignidade humana, inclusão social, solidariedade e bem comum. “A fé exige participação consciente e responsável”, afirmou.

 

Participação e responsabilidade

Ao responder a uma pergunta sobre a participação dos católicos na política sem transformar a fé em instrumento de disputa partidária, dom Jaime ressaltou que o engajamento político não deve ser confundido com envolvimento partidário. Segundo ele, todos os batizados estão inseridos na sociedade e, como homens e mulheres de fé, são chamados a ser “sal da terra, luz do mundo, fermento de transformação”.

 

O cardeal também afirmou que os cristãos não podem permanecer indiferentes diante de situações como a corrupção, os abusos do poder econômico e político e a desigualdade social. Da mesma forma, chamou atenção para a compra de votos e para a disseminação de mentiras e fake news nas redes sociais, que, segundo ele, podem atingir a dignidade e a honra das pessoas.

 

Nesse contexto, destacou ainda a importância de avaliar a dignidade e a honra daqueles que se colocam à disposição para o serviço público, especialmente diante do processo eleitoral que se aproxima.

 

Justiça e bem comum

Em sua reflexão, dom Jaime propôs também uma pergunta sobre o futuro: “Que sociedade desejamos? Que futuro desejamos deixar para as próximas gerações?” Para ele, as escolhas feitas no presente estão diretamente relacionadas ao futuro que será construído.

 

O cardeal defendeu que uma sociedade bem ordenada precisa ser orientada por uma concepção compartilhada de justiça e chamou atenção para as desigualdades sociais. Também abordou o fenômeno da narcocultura e defendeu que os representantes políticos sejam capazes de pensar, com generosidade, o futuro da sociedade.

 

Ao tratar da chamada sociedade do desempenho, marcada pela competição, dom Jaime alertou para os efeitos da exclusão social sobre aqueles que não conseguem acompanhar essa lógica. Segundo ele, uma sociedade justa deve estar fundamentada no respeito mútuo e na capacidade de amparar aqueles que enfrentam situações de vulnerabilidade.

 

Ao concluir sua participação, o cardeal pediu serenidade, responsabilidade, reflexão e capacidade de discernimento diante do momento político que se aproxima. Também manifestou o desejo de que os brasileiros possam escolher pessoas dignas para os cargos públicos, tendo em vista a construção de um futuro melhor para as próximas gerações.

 

Assista ao programa completo:

 

Fotos: Prints do programa

 

 



Autor:
Greice Pozzatto / Jornalista e Assessora de Comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre

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