04/09/2026
“A paz não é ausência de diferenças, nem silêncio diante dos conflitos.” A afirmação foi feita pelo arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Jaime Cardeal Spengler, durante a assinatura do Pacto “Paz e Tolerância nas Eleições”. Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), o cardeal esteve entre as autoridades e lideranças reunidas ao lado de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), representantes do poder público, da sociedade civil e de diferentes instituições religiosas.
Segundo Dom Jaime, a construção da paz durante o período eleitoral é uma responsabilidade de toda a sociedade. Para ele, a convivência democrática exige a capacidade de lidar com as diferenças sem transformar o adversário em inimigo, colocando a dignidade da pessoa humana e o bem comum acima dos interesses particulares.
Conforme destacou o cardeal, a paz “nasce da capacidade de convivermos com nossas diferenças sem transformar o adversário em inimigo, colocando sempre a dignidade da pessoa humana e o bem comum acima dos interesses particulares”.
A iniciativa reúne representantes de diferentes setores da sociedade em ações conjuntas voltadas à promoção da cultura de paz durante o processo eleitoral. Criada em 2022, a campanha reforça a importância do diálogo, do respeito e da tolerância nas eleições e defende uma disputa política pautada pela convivência democrática.
Em sua manifestação, o presidente da CNBB também ressaltou a dimensão de serviço da política, à luz da Doutrina Social da Igreja. Segundo ele, as eleições devem ser compreendidas como um exercício de responsabilidade, liberdade e cuidado com o próximo. “Não há verdadeira democracia onde o medo substitui o diálogo, onde o dinheiro desequilibra a liberdade de escolha ou onde o voto deixa de ser consciência para tornar-se mercadoria”, afirmou.
Dom Jaime chamou atenção ainda para situações que podem comprometer a liberdade e a legitimidade do processo eleitoral, como a compra de votos e os abusos do poder econômico. Para o cardeal, a prática atinge não apenas a legislação eleitoral, mas também a dignidade do eleitor, especialmente daqueles que se encontram em situação de pobreza ou vulnerabilidade.
“Comprar um voto não significa apenas violar a lei. Significa atingir a dignidade do eleitor, especialmente daquele que, em situação de pobreza ou vulnerabilidade, pode ser transformado em objeto de interesses que não são os seus”, destacou.
Outro ponto abordado foi a necessidade de transparência e fiscalização no uso de recursos públicos destinados à atividade partidária e às campanhas eleitorais. Dom Jaime defendeu que esses recursos sejam acompanhados de responsabilidade, controle e prestação de contas diante das necessidades concretas da população brasileira.
Defesa da Lei da Ficha Limpa
Dom Jaime também enfatizou o compromisso da CNBB com a preservação das conquistas democráticas, citando especialmente a Lei da Ficha Limpa. Segundo ele, a legislação nasceu da mobilização popular, com a participação de organizações da sociedade civil e da Igreja no Brasil.
O cardeal ressaltou que a defesa da Lei da Ficha Limpa não pertence a partidos, governos ou correntes políticas específicas, mas à cidadania brasileira. “Preservar seus princípios significa afirmar algo muito simples e muito profundo: o exercício do poder público exige responsabilidade ética”, afirmou.
Ao concluir, Dom Jaime reforçou que a paz desejada para as eleições não deve ser passiva, mas construída a partir da justiça, da verdade, da liberdade do voto, da transparência e do respeito às instituições democráticas.
“A paz que desejamos para as eleições brasileiras, portanto, não é uma paz passiva. É uma paz construída na justiça, na verdade, na liberdade do voto, na transparência e no respeito às instituições democráticas. Que tenhamos a coragem de construí-la juntos”, concluiu.
Fotos: Antonio Augusto/TSE