24/06/2026
No final da tarde de terça-feira, 23 de junho, o Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul recebeu uma roda de conversas que marcou o encerramento da exposição “255 anos de fé católica em Porto Alegre”, realizada em parceria com a Arquidiocese de Porto Alegre. O encontro reuniu curadoras, equipe técnica e integrantes do Ministério Público para uma avaliação do percurso da mostra, que ao longo dos últimos meses apresentou ao público um importante recorte da memória religiosa e cultural da capital gaúcha.
O diálogo foi marcado por reconhecimento institucional e pela percepção de que a exposição ultrapassou expectativas iniciais.
A historiógrafa e uma das curadoras da exposição, Vanessa Gomes de Campos, avaliou o resultado como surpreendente. “Acho que foi acima do esperado. A acolhida que tivemos no Memorial do Ministério Público e o retorno dos visitantes mostram que o trabalho está sendo valorizado e que precisamos continuar”, afirmou. Vanessa destacou ainda que atividades como esta, assim como as visitas culturais (também citadas na roda de conversa), demonstram um interesse mais amplo pelo patrimônio, não apenas sob a perspectiva religiosa, mas também histórica e urbana, como forma de compreender a relação desses espaços com o desenvolvimento da cidade. “A ideia é compreender como esses espaços se relacionam com o desenvolvimento urbano e com a memória coletiva”, explicou.
O coordenador do Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul, Gunter Axt, também avaliou positivamente a parceria. Em sua fala, destacou o caráter inédito da exposição fora do espaço habitual de guarda do acervo. “Para o Ministério Público foi uma grande honra, porque essas imagens e peças nunca tinham saído a público, nunca tinham saído da Catedral. Foi uma situação muito especial e com uma acolhida muito positiva do público”, afirmou.
Público diverso
Axt ressaltou ainda a diversidade de visitantes ao longo da exposição, incluindo promotores do interior, famílias e escolas, além de eventos culturais que ampliaram o alcance da exposição. Para ele, o conjunto apresentado possui relevância que ultrapassa o campo religioso. “É uma importância que vai muito além das pessoas que professam a fé católica, pois diz respeito à nossa identidade como porto-alegrenses e gaúchos”, destacou.
O encerramento da roda de conversa também reforçou o papel do apoio institucional, especialmente o incentivo do arcebispo Dom Jaime Cardeal Spengler, lembrado como fundamental para a realização da mostra e para a valorização do patrimônio sacro da Arquidiocese.
O acervo
Durante o encontro, foi citada, também, a complexidade do acervo da Arquidiocese, que já tem materiais classificados por paróquias, em coleções como a da Catedral, da Cúria, da Basílica Nossa Senhora das Dores, que já se encontram devidamente documentadas.
Com o fim da exposição, inicia-se agora a etapa de elaboração do relatório do material apresentado, das vantagens em se publicizar os materiais, em um processo que busca consolidar o acervo e ampliar sua preservação. Nesse sentido, a museóloga Caroline Zucchetti, também curadora, chama atenção para a complexidade desse trabalho, destacando que ainda há um volume significativo de peças sem organização formal. “Ainda existe muita coisa que não está classificada em coleções, ou mesmo documentação. Em muitos casos, esse material não é reconhecido como acervo e acaba sem o cuidado adequado, inclusive por desconhecimento da própria importância por parte de algumas comunidades”, observou.
Apesar do encerramento da mostra, o interesse despertado ao longo dos meses aponta para a continuidade de iniciativas que aproximem a cidade de sua memória religiosa, artística e cultural.