Exposição reúne relíquias raras e celebra 255 anos da fé católica em Porto Alegre

25/03/2026

Exposição reúne relíquias raras e celebra 255 anos da fé católica em Porto Alegre

Foi aberta na tarde do dia 24 de março a exposição “255 Anos de Fé Católica em Porto Alegre”, uma mostra que convida o público a percorrer a história religiosa e cultural da capital gaúcha por meio de peças raras e de grande valor histórico.

 

Promovida pela Arquidiocese de Porto Alegre em parceria com o Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul, a exposição está instalada no Palácio do Ministério Público, no Centro Histórico, e segue aberta à visitação até o mês de junho, de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h.

 

A abertura contou com a presença do arcebispo metropolitano, Dom Jaime Cardeal Spengler, que destacou o caráter coletivo e simbólico do acervo apresentado. “Isso não nos pertence, pertence à sociedade. É a expressão da fé de um povo, de uma época, que continua sendo a nossa fé ainda hoje”, afirmou. Ele também ressaltou a importância da beleza como expressão da fé, recordando a célebre frase de Dostoiévski: “a beleza salva”, e acrescentou que a exposição oferece à sociedade sinais e expressões dessa beleza.

 

Entre os destaques da mostra estão relíquias raras preservadas ao longo dos séculos pela Igreja local, muitas delas pouco conhecidas do grande público.

 

Um dos pontos centrais da exposição é a imagem de São Francisco, considerada a peça mais importante do conjunto. O santo foi o primeiro padroeiro de Porto Alegre, quando a cidade ainda era chamada de São Francisco do Porto dos Casais, antes de ser dedicada à Nossa Senhora Madre de Deus.

 

Em sua mensagem, Dom Jaime também destacou a identidade do povo porto-alegrense. Segundo ele, “Porto Alegre tem uma característica própria, marcada pelo orgulho de ser porto-alegrense e gaúcho”. Para o arcebispo, celebrar dois séculos e meio de história é também recordar “um povo batalhador, empenhado e uma comunidade de fé”.

 

O procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Alexandre Saltz, ressaltou a importância da parceria institucional. Segundo ele, a iniciativa reúne valores culturais significativos ao integrar o acervo da Arquidiocese a um espaço histórico como o Palácio do Ministério Público. “Recebemos aqui parte dessa história, materializada em peças que permitem à sociedade conhecer um recorte da trajetória do nosso povo”, afirmou.

 

Já o coordenador do Memorial do Ministério Público, Gunter Axt, destacou o caráter inédito da exposição. De acordo com ele, esta é a primeira vez que o acervo deixa a Catedral Metropolitana para ser apresentado ao público em outro espaço. “Trata-se de um conjunto de grande relevância artística, cultural e histórica, profundamente ligado à identidade de Porto Alegre”, explicou.

 

Axt também lembrou que a imagem de São Francisco das Chagas remete às origens da cidade e que muitas das primeiras instituições locais nasceram ligadas à Igreja, como a Irmandade de São Miguel, criada ainda no século XVIII, antes mesmo da formação da Câmara Municipal. “A exposição fala de história, mas também de arte, com peças de grande qualidade, como imagens sacras, joias e objetos litúrgicos”, acrescentou.

Inserida na programação de aniversário da cidade, a mostra resgata a memória e evidencia a relação entre fé, cultura e identidade ao longo dos séculos.

 

Com curadoria de Vanessa Gomes de Campos, historiógrafa da Arquidiocese de Porto Alegre, e Caroline Zucchetti, a exposição propõe ao visitante uma imersão na memória e na fé que marcaram a formação de Porto Alegre ao longo de mais de dois séculos e meio.

 



Autor:
Greice Pozzatto

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