Fé e gratidão marcam a festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Porto Alegre

02/02/2026

Fé e gratidão marcam a festa de Nossa Senhora dos Navegantes em Porto Alegre

Ainda era cedo quando os primeiros devotos começaram a chegar ao Santuário Nossa Senhora do Rosário, no centro de Porto Alegre, para a missa de acolhida aos Romeiros. Vindos de diferentes regiões da capital, muitos traziam nas mãos rosas, um gesto que já se tornou tradição e símbolo de amor, gratidão e pedidos confiados à intercessão de Nossa Senhora dos Navegantes.

 

Entre os fiéis estava Luciana Scolari, devota da santa, que fez questão de expressar sua gratidão. “Tudo que eu preciso, tudo que, enfim, as bênçãos que eu recebo na minha vida, eu agradeço à Nossa Senhora dos Navegantes, que é a nossa protetora”, afirmou.
Segundo ela, levar rosas é uma forma concreta de reconhecimento. “É trazer rosas e agradecer por tudo aquilo de bom que a gente recebe. Hoje é dia só de agradecer.”

 

A devoção também se expressou em forma de testemunho. Suelen Andrade participou da caminhada acompanhada da filha Maitê, de apenas um ano e sete meses, a quem considera um verdadeiro milagre alcançado pela intercessão da santa. “Ganhei a Maitê agora em 2024, prematura, ficou com muitas intercorrências hospitalares. Eu vim suplicar novamente”, contou.  Emocionada, Suelen destacou a graça recebida. “Mais uma vez ela me atendeu e hoje a Maitê está aqui, firme e forte, crescendo cada dia mais. Ela é um milagre da Nossa Senhora, o testemunho vivo de que ela é forte mesmo.”

 

Do lado de fora do santuário, milhares de pessoas aguardavam a saída da imagem para o início da caminhada. Com cânticos, orações e muitas palmas, os fiéis foram se unindo à procissão, formando um verdadeiro mar de devoção pelas ruas da cidade.

 

Promessas e fé

Mesmo com o sol forte e o calor refletindo no asfalto, muitos Romeiros optaram por fazer o trajeto descalços, em sinal de fé, penitência e gratidão. Foi o caso de Júlio César Roldão, que cumpre uma promessa feita há alguns anos. “A promessa já fiz há alguns anos atrás, fui bem-sucedido e hoje estou mais um ano agradecendo”, disse. Questionado sobre o cansaço após os quatro quilômetros e meio de caminhada, ele respondeu com serenidade: “Tranquilo. A fé é melhor, é mais forte ainda. Mesmo descalço, com calor.”

 

O percurso seguiu marcado por oração, agradecimento e profunda devoção. A cada passo, histórias, promessas e súplicas se misturavam, fortalecendo a fé de quem caminhava. Após os quatro quilômetros e meio, os Romeiros chegaram à Praça dos Navegantes, onde a imagem permaneceu exposta.

 

Entre os participantes estava Francisco Bittencourt, que há doze anos faz questão de participar da procissão. “Venho com muita fé, muito amor, pedindo muita saúde e muita paz para a humanidade. Sempre venho”, afirmou.

 

A Romeira Jeni Joana de Oliveira também destacou sua fidelidade à devoção. “Sempre venho. Tenho muita fé na santa e sempre venho.”

 

Ao lado do povo

Durante todo o trajeto, quem acompanhou os fiéis foi Dom Jaime Cardeal Spengler, que caminhou ao lado do povo do início ao fim. Para ele, a procissão é sinal concreto de proximidade e partilha.

 

“Acompanhando essa multidão, não podemos não nos sentir participantes dessa força, desse vigor que anima tantos, especialmente as pessoas mais simples”, refletiu.
Dom Jaime destacou ainda o significado mariano da devoção. “É a expressão da fé e da confiança de tantos nesta figura de mulher chamada Maria de Nazaré, que aqui invocamos como Senhora dos Navegantes. Ela é mãe, e todos nós precisamos de mãe: de referência, apoio, ternura, escuta, colo, orientação e, às vezes, até de correção.”

Ao final do percurso, o arcebispo resumiu a experiência da caminhada. “Caminhar com o povo cansa, mas é um cansaço diferente. É um cansaço que não esgota, é um cansaço que anima.”

 

Durante todo o dia, enquanto a imagem permaneceu exposta na Praça dos Navegantes, os fiéis passaram pelo local para tocá-la, entregar rosas e aproximar crianças e objetos pessoais, como gesto de fé e pedido de bênçãos. Dom Jaime Cardeal Spengler presidiu a missa que acolheu os Romeiros após a caminhada, e, ao longo do dia, outras celebrações foram realizadas, com missas a cada hora, marcando uma jornada inteira dedicada à fé, à gratidão e à esperança.

 

 

Fotos:

Greice Pozzatto

Leonardo Mayer

Henrique Madeira

 



Autor:
Greice Pozzatto

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