13/04/2026
Em sintonia com a Igreja em todo o mundo, a espiritualidade franciscana ganha destaque em 2026 com a celebração dos 800 anos do trânsito de São Francisco de Assis. A data jubilar convida os fiéis a revisitarem o legado do santo, marcado pela simplicidade, pela paz e pelo amor aos pobres, propondo um tempo de graça, inspiração e renovação para as comunidades cristãs.
Proclamado como ano jubilar para toda a Igreja, o marco recorda a Páscoa de São Francisco, sua morte, e se apresenta como continuidade do recente Ano Santo dedicado à esperança, ampliando o chamado à conversão e ao aprofundamento da vida cristã.
Um tempo de graça para toda a Igreja
Segundo Frei Nestor Schwerz, Vigário da Paróquia São Francisco de Porto Alegre e Coordenador da Conferência Franciscana no Regional Sul 3-CNBB, a celebração ultrapassa o âmbito das ordens ligadas ao carisma de Francisco e se estende a todo o povo de Deus.
“Esses 800 anos do trânsito de São Francisco, ou seja, da sua Páscoa, da sua morte, é então o motivo que a Igreja, que o Papa, considerou para proclamar este Ano Santo para toda a Igreja. É uma ocasião em que podemos, inspirados por São Francisco, aprofundar mais a nossa vida cristã”, destaca.
A proposta do jubileu é favorecer um caminho de crescimento espiritual a partir do testemunho do santo de Assis, reconhecido como homem do Evangelho, da fraternidade e da paz. A vivência desse tempo inclui práticas como a participação na Eucaristia, a reconciliação e oração mais consciente, como meios concretos de conversão e renovação.
Atualidade do testemunho franciscano
O contexto vivido por São Francisco no século XIII encontra paralelos com a realidade contemporânea, marcada por conflitos, divisões e desafios sociais. Para Frei Nestor, essa proximidade histórica reforça a relevância do santo para os dias atuais.
“Os tempos de Francisco e os tempos de hoje têm muita semelhança. Foram tempos de muita guerra, de muita violência, de muita divisão. Hoje também vivemos uma realidade semelhante, inclusive dentro da própria Igreja. São Francisco pode nos inspirar nesse sentido”, afirma.
Mais do que uma devoção ligada à natureza ou aos animais, o jubileu propõe redescobrir a profundidade de sua experiência cristã, marcada pela conversão, pelo encontro com os mais pobres e pela busca da reconciliação. Seu testemunho de diálogo, inclusive com outras culturas e religiões, permanece como referência para a construção da paz.
Celebração na Catedral reunirá a família franciscana
Em Porto Alegre, a data será celebrada com uma missa especial no dia 25 de abril, às 17h, na Catedral Metropolitana. A celebração será presidida por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano e cardeal, que também pertence à Ordem dos Frades Menores.
A iniciativa busca reunir religiosos, leigos e membros das diversas expressões da família franciscana, incluindo fraternidades, clarissas e a Ordem Franciscana Secular, além de incentivar a participação das paróquias e comunidades da arquidiocese.
“Nós queremos preparar bem esse momento litúrgico, com uma boa presença das comunidades, para celebrar este ano de modo que produza bons frutos entre nós, como família franciscana e também como Igreja”, ressalta Frei Nestor.
Comunidades são chamadas a viver o jubileu
A vivência do ano jubilar passa também pelo compromisso concreto das comunidades. Tornar São Francisco mais conhecido, aprofundar sua espiritualidade e traduzir seus valores em atitudes do cotidiano são caminhos indicados para este tempo.
A proposta é que cada fiel, segundo suas possibilidades, se deixe inspirar pelo santo para crescer na caridade, na fraternidade e no cuidado com a criação, dimensões centrais de sua vida e também fortemente presentes no magistério recente da Igreja.
Jubileu coincide com aniversário paroquial
Além da celebração jubilar, 2026 também é marcado por outro motivo de alegria para a Igreja local: a Paróquia São Francisco, em Porto Alegre, celebra seus 95 anos de história, reforçando ainda mais a presença e a atualidade do carisma franciscano na vida da arquidiocese.
Para o Frei Nestor, ao recordar os 800 anos do trânsito de São Francisco, a Igreja propõe não apenas uma memória histórica, mas um convite concreto à transformação da vida, à luz de um testemunho que atravessa os séculos e continua a inspirar caminhos de paz, simplicidade e amor aos mais necessitados. “Venham celebrar conosco”, convida.