28/09/2026
Por ocasião do 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado neste domingo, 27 de setembro, a Rede CLAMOR Brasil dirigiu uma mensagem aos bispos do país, convidando as Igrejas particulares a ampliarem a atenção, o acolhimento e a participação de crianças e adolescentes migrantes e refugiados na vida das comunidades. A mensagem foi recebida também pelo Arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Cardeal Spengler.
Com o tema “Mesmo uma só destas crianças” (Mt 18,10), proposto pelo Papa Leão XIV para este ano, a mensagem chama a atenção para a realidade de crianças e adolescentes que vivenciam situações de migração e refúgio, muitas vezes marcadas pela violência, pobreza, separação familiar, deslocamento forçado e insegurança.
Segundo o texto, a expressão do Evangelho recorda que, para Deus, cada pessoa tem valor e não pode ser reduzida a números, fronteiras ou categorias jurídicas. “Antes dos números, das fronteiras e das categorias jurídicas, há uma pessoa, uma história, uma criança que traz consigo um nome, uma família, medos, lembranças e sonhos”, afirma.
A Rede CLAMOR Brasil também ressalta que a acolhida não deve ser responsabilidade exclusiva das pastorais, congregações religiosas ou organismos que atuam diretamente com migrantes e refugiados. O cuidado, segundo a mensagem, pertence à vocação de toda a Igreja.
“Pastoralmente invisíveis”
Um dos apelos dirigidos às dioceses e paróquias é para que conheçam melhor as realidades de mobilidade humana presentes em seus territórios e verifiquem se as crianças e adolescentes migrantes e refugiados estão efetivamente integrados à vida comunitária.
A mensagem propõe algumas perguntas às comunidades: “Conhecemos as crianças migrantes e refugiadas que vivem em nossas comunidades? Conhecemos suas famílias? Elas participam da catequese, das pastorais, dos grupos de adolescentes e jovens e da vida de nossas paróquias?”
O texto chama atenção ainda para situações em que famílias migrantes, embora estejam fisicamente próximas das comunidades, permanecem afastadas da participação pastoral. “Não podemos permitir que irmãos e irmãs estejam geograficamente dentro de nossas paróquias e, ao mesmo tempo, permaneçam pastoralmente invisíveis”, afirma.
Nesse sentido, a Rede CLAMOR Brasil propõe iniciativas concretas de proximidade, acolhida e participação, destacando que, onde houver uma família migrante ou uma criança refugiada, há também um chamado à comunidade cristã.
Caminhar com os migrantes
A mensagem também reafirma o compromisso da Rede CLAMOR Brasil de atuar junto às Igrejas particulares, articulando iniciativas, aproximando experiências e colaborando para fortalecer a atenção aos migrantes e refugiados.
A proposta é ir além da assistência. “Não se trata apenas de fazer algo pelos migrantes, mas de caminhar com eles”, destaca o documento, reconhecendo suas histórias, culturas, esperanças, dons e a riqueza de sua fé.
Ao recordar o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, a Rede CLAMOR convida as comunidades a levarem à celebração eucarística as histórias, alegrias, angústias, perdas e esperanças daqueles que vivem a experiência da migração e do refúgio, especialmente das crianças e adolescentes.
A mensagem é assinada por Dom Nereudo Freire Henrique, Bispo Auxiliar de Olinda e Recife e Bispo Referencial da Rede CLAMOR Brasil, e conclui confiando os migrantes e refugiados à proteção da Virgem Maria, recordando que a própria Sagrada Família conheceu a experiência do exílio no Egito.
“Mesmo uma só destas crianças.” A mensagem propõe que essa palavra permaneça como um chamado para além da data comemorativa, fortalecendo comunidades capazes de acolher, proteger, promover e integrar aqueles que chegam.
Leia a mensagem completa clicando aqui