04/09/2025
O Setembro Amarelo, mês nacional de prevenção do suicídio e valorização da vida, chama atenção para a importância de diálogo aberto sobre sofrimento emocional e formas de apoio. Nos últimos anos, o aumento de casos de ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos evidencia a necessidade de atenção constante à saúde mental.
Segundo especialistas, a atenção à saúde mental se tornou ainda mais urgente nos últimos anos, diante do aumento de casos de ansiedade, depressão e outros transtornos psicológicos.
Dentro desse contexto, no mês dedicado à prevenção do suicídio e à valorização da vida, a Igreja propõe que a espiritualidade seja compreendida como uma fonte de força e esperança, que complementa, mas não substitui, o acompanhamento médico e psicológico. Para o bispo auxiliar de Porto Alegre e Referencial para a Família no Regional Sul 3, Dom Bertilo Morsch, a fé pode oferecer sentido e propósito à vida, ajudar a enfrentar crises e fortalecer a resiliência, promovendo o bem-estar emocional e social.
Segundo ele, “a fé oferece uma perspectiva que transcende as dificuldades temporais, conferindo um sentido de propósito maior à vida. Práticas espirituais podem ajudar a gerenciar emoções como ansiedade, medos e frustrações, promovendo um controle emocional mais equilibrado.”
O bispo ressalta que a fé não elimina os sofrimentos, mas dá significado a eles, permitindo que sejam vividos com esperança e resiliência. “A fé é uma importante aliada da saúde mental, oferecendo um pilar de apoio emocional. Práticas religiosas podem reduzir os riscos de ansiedade e depressão, aumentar a resiliência e o bem-estar psicológico. Mantém a calma e a confiança em situações difíceis, promovendo um controle emocional mais equilibrado.”
A importância da comunidade de fé
Dom Bertilo explica que, quando combinada com acompanhamento profissional, a espiritualidade se torna um recurso sólido para enfrentar os desafios do dia a dia e destaca a comunidade como um forte apoio para momentos de sofrimento. “A participação em comunidades religiosas proporciona uma rede social forte, diminuindo o isolamento e oferecendo apoio em tempos de crise. O comportamento religioso, com uma fé sustentada, nos dá maior capacidade de resiliência e aceitação”, destaca. O bispo alerta, também, para a importância de estarmos atentos ao outro. “Precisamos estar atentos e abertos à realidade e aos sofrimentos de nossos irmãos. Precisamos ter a atitude do Bom Pastor que busca, vai ao encontro, oferece ajuda, uma nova oportunidade. Temos em nossa Igreja vários grupos de apoio nas mais diversas situações.”
Segundo Dom Bertilo, o cuidado comunitário traduz a fé em ações concretas de acolhida, reforçando o apoio emocional e social. “O Evangelho de João 10,10 diz: ‘Eu vim para que todos tenham vida’. Jesus veio ao mundo para oferecer uma vida plena, abundante e cheia de propósitos a todas as pessoas. Significa viver de forma completa, com propósitos e intenções, abrangendo o físico, mental e espiritual, não uma vida focada apenas nos bens materiais. Ressalta a importância da ação social cristã. Viver a vida abundante envolve servir aos irmãos, especialmente os mais vulneráveis. Jamais podemos nos isolar quando somos acometidos por um problema. A solidariedade, a escuta e a acolhida são meios que temos para enfrentar juntos as situações.”
Dom Bertilo reforça que a vida plena não é só para si, mas para o cuidado dos outros, cultivando solidariedade e compromisso social. “Em Jesus está a plenitude da vida, a esperança que se renova, a salvação que se faz concreta para os que Nele depositam a sua confiança. Jamais podemos perder o sentido da vida. Devemos reaprender a contemplar as obras da criação para redescobrirmos seu verdadeiro valor, repensar para que fomos criados, no cuidado pessoal e comunitário. Onde não há cuidado, toda a vida adoece. Por isso sejamos guardiães da vida, dos irmãos e da Casa Comum.”