01/07/2026
A Arquidiocese de Porto Alegre viverá mais um momento de graça nesta sexta-feira, 3 de julho, com a ordenação presbiteral do diácono Miguel Endres. A celebração acontecerá às 20h, na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, comunidade onde nasceu sua vocação e onde, agora, dará o passo definitivo rumo ao ministério sacerdotal.
Miguel é o quinto e último dos novos sacerdotes ordenados neste ano de 2026 e foi o entrevistado desta semana do PodQuestão Arquipoa.
Aos 27 anos, Miguel torna-se também o sacerdote mais jovem do clero arquidiocesano, carregando consigo uma história marcada pela alegria, pela proximidade com a comunidade e por um profundo desejo de servir a Deus e ao seu povo. “Parece que encontrei a razão da minha existência”, afirma ao recordar a caminhada que o conduziu até este momento.
Uma vocação cultivada em família
Filho de Carlos e Marta Endres, Miguel cresceu em um ambiente onde a fé sempre esteve presente. Seus pais participam ativamente da vida paroquial há muitos anos. Marta atua na Pastoral da Comunicação e na catequese da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, enquanto ambos colaboram com o dízimo e diversas atividades da comunidade.
Caçula de uma família com quatro filhos, Miguel recorda com carinho a convivência familiar e a influência dos irmãos em sua formação humana e cristã.
A história da família está profundamente ligada à paróquia onde será ordenado sacerdote. Foi ali que seus pais celebraram o matrimônio, em 1982. Décadas depois, no mesmo altar, o filho oferecerá sua vida ao serviço da Igreja.
A participação na comunidade sempre fez parte de sua rotina. Catequese, CLJ, Encontro Vocacional kairós e o serviço como coroinha foram experiências que ajudaram a amadurecer sua vocação. “Desde pequeno, a Igreja sempre foi parte da minha vida”, recorda.
Entre a Fórmula 1, o jornalismo e o altar
Ao contrário do que muitos imaginam, Miguel não sonhava em ser padre quando criança.
Extrovertido, comunicativo e cheio de interesses, pensava em diversas possibilidades para o futuro. Gostava de futebol, acompanhava apaixonadamente a Fórmula 1 e admirava grandes nomes do automobilismo, especialmente Michael Schumacher e Sebastian Vettel.
Até hoje, considera a Fórmula 1 seu esporte favorito. “Todo mundo acha estranho quando digo isso”, brinca.
Outro interesse que o acompanhou desde cedo foi a comunicação. Aos 12 anos, protagonizou uma situação inusitada que se tornou uma das histórias curiosas de sua adolescência. Incomodado porque sua escola estava sem professor de Português havia meses, entrou em contato com a imprensa para denunciar o problema. No dia seguinte, a reportagem foi publicada e ele apareceu na capa do Diário Gaúcho. Na matéria, o jovem Miguel afirmava que pretendia seguir a carreira do avô, jornalista conhecido no meio político gaúcho, ou tornar-se padre.
Hoje, olhando para trás, percebe que, de certa forma, os dois caminhos continuam presentes em sua vida. “O padre é um comunicador”, comenta.
O chamado que trouxe paz ao coração
Apesar das muitas possibilidades que imaginava para o futuro, havia algo que se destacava entre todas elas. Enquanto os outros sonhos geravam inquietação, o serviço na Igreja lhe trazia paz.
Foi como coroinha da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes que começou a perceber que Deus o chamava para algo maior. O discernimento vocacional foi sendo construído gradualmente, sem grandes acontecimentos extraordinários, mas por meio do testemunho de sacerdotes, da convivência na comunidade e da oração.
Entre as pessoas que marcaram essa caminhada estão o padre Geraldo, que o incentivou ainda na adolescência; o padre Kauê, atual pároco da comunidade que ele será ordenado; e o padre Pedro Cunha, que acompanhou de perto seus anos de formação e ajudou a amadurecer sua decisão de ingressar no seminário. “Nunca é uma pessoa só. É toda uma comunidade que ajuda a construir uma vocação”, destaca.
Um seminário vivido com intensidade
Miguel ingressou no Seminário Arquidiocesano em março de 2017, aos 17 anos.
Ao recordar os anos de formação, fala com gratidão do período vivido no Propedêutico, na Filosofia, na Teologia e no Ano Pastoral. Foram anos marcados pelo estudo, pela oração, pela convivência fraterna e pelas experiências pastorais em diversas comunidades da Arquidiocese.
Durante a formação, atuou pastoralmente em Eldorado do Sul, Cachoeirinha, Sapucaia do Sul e Canoas, encontrando em cada comunidade acolhida e aprendizado.
Em especial, recorda com carinho o Ano Pastoral vivido na Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Canoas, uma comunidade ainda marcada pelos efeitos da enchente de 2024.
Ali, afirma ter compreendido ainda mais profundamente o que significa ser pastor. “Foi um povo guerreiro que me ensinou muito sobre fé, esperança e perseverança.”
O mais jovem entre os novos sacerdotes
Embora seja o mais jovem dos cinco novos sacerdotes ordenados neste ano, Miguel encara essa realidade com simplicidade e bom humor. Mas, para além da idade, acredita que a juventude pode favorecer a proximidade com os jovens e ajudar na evangelização das novas gerações.
Ao mesmo tempo, reconhece que continuará aprendendo com os sacerdotes mais experientes. “O presbítero é chamado a ser irmão mais velho na fé. Para isso, o seminário nos prepara e nos ajuda a amadurecer.”
“É necessário que Ele cresça e eu diminua”
Para o ministério sacerdotal, Miguel escolheu como lema uma das frases mais conhecidas de São João Batista: “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).
Segundo ele, a frase resume aquilo que deseja viver como sacerdote: apontar sempre para Cristo. “O sacerdócio não é meu. É de Cristo. Minha missão é fazer com que Ele apareça cada vez mais.”
A escolha também expressa uma dimensão de humildade que considera essencial para a vida sacerdotal. Como alguém naturalmente ativo e comunicativo, vê na oração e na busca constante por Deus um caminho necessário para equilibrar o fazer e o ser.
Como uma vela que ilumina e aquece
Ao final da entrevista, Miguel compartilhou uma reflexão que ouviu em um encontro com amigos, mas que deseja levar para toda a vida sacerdotal. Nesta reflexão, fazia-se um comparativo entre a figura do padre com a vela acesa.
Durante muito tempo, quando não havia luz elétrica, explicou Miguel, a vela era a única fonte de luz em meio à escuridão. “Mesmo simples, fazia diferença porque iluminava o ambiente e aquecia quem estava próximo”. Para ele, essa é uma bela definição do sacerdócio.
“A vida do padre precisa ser como a vela: uma luz que não é sua, mas de Cristo. E, ao se consumir, aquece os corações.”
Nesta sexta-feira, a Igreja de Porto Alegre acolherá mais um sacerdote. Um jovem formado na fé da família, sustentado pela comunidade e apaixonado pela missão de anunciar o Evangelho.
Com a alegria que o caracteriza desde a infância, Miguel Endres se prepara para dizer o seu “sim” a Deus, iniciando uma nova etapa de sua caminhada como servidor do povo de Deus.
Assista ao PodQuestão Arquipoa abaixo!