Irmãs Scalabrinianas celebram Jubileu do Serviço de Acolhida ao Migrante na rodoviária de Porto Alegre

29/10/2025

Irmãs Scalabrinianas celebram Jubileu do Serviço de Acolhida ao Migrante na rodoviária de Porto Alegre

Há 25 anos, em meio ao intenso movimento da rodoviária de Porto Alegre, um gesto silencioso de acolhida se repete diariamente. Desde 1999, as Irmãs Scalabrinianas mantêm no local o Serviço de Acolhida e Orientação ao Migrante, uma presença missionária que se tornou referência no cuidado pastoral e humano com migrantes e refugiados que chegam à capital gaúcha.

 

No dia 28 de outubro, as irmãs celebraram os 25 anos de atuação com a abertura do Jubileu, durante missa presidida por Dom Odair Miguel, bispo auxiliar de Porto Alegre e referencial para as pastorais sociais da Arquidiocese.

 

“Este espaço na rodoviária é muito importante, porque acolhe pessoas estrangeiras que vêm de longe. São 25 anos de uma história bonita, mais de 45 mil pessoas já passaram por aqui. É um momento de gratidão às Irmãs Scalabrinianas, à equipe e a todos que fazem parte dessa trajetória”, destacou Dom Odair.

 

Um ano especial de agradecimento

A abertura do Jubileu marcou o início de um ano especial de agradecimento e renovação, que recordará a trajetória de solidariedade e evangelização vivida no coração da cidade. Ao longo dos anos, o espaço mantido pelas religiosas tornou-se refúgio e ponto de apoio para milhares de pessoas em trânsito, muitas delas em situação de vulnerabilidade.

 

A escuta atenta, a orientação e o auxílio prático traduzem, no cotidiano, a espiritualidade do carisma scalabriniano, voltado ao cuidado com o migrante, o refugiado e o itinerante.

 

Para o padre Rodenei Sierpinski, CS, do Cibai Migrações, a missão das irmãs é um exemplo de trabalho em rede: “Esse serviço estende as mãos àqueles que necessitam, especialmente aos que passam por aqui. É uma rede de solidariedade que se renova a cada encontro.”

 

Entre as idealizadoras da iniciativa está a Irmã Egídia Muraro, CS, coordenadora da Pastoral do Migrante, que relembrou os primeiros passos do projeto. Ela conta que participou da pesquisa que deu origem a este serviço. “Na época, muitas pessoas dormiam aqui na rodoviária, migrantes do interior que buscavam emprego e melhores condições de vida. Hoje é uma grande alegria ver os frutos dessa caminhada.”

 

Durante o ano jubilar, o serviço promoverá atividades de formação, celebração e espiritualidade, reafirmando o compromisso de evangelizar por meio da acolhida e da promoção da dignidade humana.

 

A Irmã Jakeline Danette, coordenadora da Acomigra, destacou o propósito da celebração: “Queremos não apenas agradecer pelas ações realizadas, mas também aperfeiçoar o serviço — especialmente na promoção e integração dos migrantes e refugiados que chegam a Porto Alegre. É um tempo de bênção e compromisso renovado.”

 

Mais do que um gesto

Para quem chega, a acolhida é mais que um gesto, é oportunidade. A migrante Maria Vieira, hoje estagiária da Acomigra, expressa com simplicidade o significado desse espaço. “Vim em missão e a congregação me acolheu muito bem. Recebi oportunidade e esperança.”

 

Entre partidas e reencontros, a presença scalabriniana na rodoviária segue sendo um sinal de esperança e fé, um testemunho concreto de amor ao próximo que transforma tanto o caminho de quem chega quanto o olhar de quem acolhe.

 



Autor:
Greice Pozzatto

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