Marcelo Bihre partilha trajetória vocacional no PodQuestão ArquiPoa

26/05/2026

Marcelo Bihre partilha trajetória vocacional no PodQuestão ArquiPoa

A poucos dias de sua ordenação presbiteral, o diácono transitório Marcelo Bihre participou do podcast “PodQuestão ArquiPoa”, da Arquidiocese de Porto Alegre, e partilhou detalhes de sua caminhada vocacional, marcada pela busca de sentido, pela experiência profissional na área da informática e por uma profunda redescoberta da fé cristã. A ordenação ocorrerá na próxima sexta-feira, 29 de maio, às 20h, na Paróquia Nossa Senhora da Piedade.

 

Natural de Lajeado, Marcelo Bihre contou que sua trajetória até o sacerdócio foi diferente daquela vivida por muitos seminaristas que descobrem cedo a vocação. Formado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, ele trabalhou durante anos com desenvolvimento de software antes de ingressar no seminário.

 

“Eu tinha uma carreira”, recordou. No entanto, em meio à vida profissional, começou a experimentar questionamentos existenciais mais profundos. “Afinal de contas, o que eu estou fazendo aqui? Para que tudo isso?”, relatou.

 

Segundo ele, a busca por respostas iniciou através da leitura, hábito cultivado desde a infância. A aproximação com a literatura, a filosofia e, posteriormente, a teologia abriu caminho para um reencontro gradual com o cristianismo. Nesse percurso, destacou a influência de Santo Agostinho, cujos escritos o tocaram profundamente.

 

Filho de pais luteranos, Marcelo compartilhou que cresceu em um ambiente familiar marcado pelo convívio ecumênico, visto que alguns tios se casaram com católicos, o que contribuiu para que vivesse uma experiência de oração em comunidade. Essa experiência de convivência foi definida por ele como “um ecumenismo na vida familiar”.

 

O chamado ao sacerdócio

A caminhada vocacional ganhou força após sua aproximação com a Igreja Católica, especialmente por meio da participação em grupos de estudo, da convivência com pessoas engajadas nas comunidades e do acompanhamento espiritual de sacerdotes.

 

Ele relembrou que, mesmo antes de considerar seriamente a possibilidade do sacerdócio, já recebia perguntas inesperadas sobre uma eventual vocação sacerdotal. “Pessoas que eu sabia que não tinham contato entre elas me perguntavam se eu já era seminarista”, contou.

 

Foi na comunidade da Paróquia Nossa Senhora da Piedade que Marcelo encontrou um acompanhamento mais próximo. Entre as figuras importantes nesse discernimento, destacou o padre Geraldo Hackmann, atualmente chanceler da Arquidiocese de Porto Alegre. Após conversas e acompanhamento, veio o encontro com Dom Jaime Cardeal Spengler, iniciando oficialmente o processo vocacional.

 

Em 2018, ingressou no propedêutico, etapa inicial da formação sacerdotal. Desde então, viveu intensamente os anos de seminário, atravessando inclusive os desafios da pandemia e das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul recentemente.

 

Formação, desafios e convivência

Marcelo destacou que a experiência de entrar no seminário em uma idade mais madura trouxe desafios próprios, mas também contribuições importantes. A vivência universitária anterior, o trabalho com jovens e a experiência profissional ajudaram na convivência comunitária e na formação pastoral.

 

“Precisamos exercitar muitas virtudes: paciência, perseverança, ouvir muito”, afirmou. Para ele, a capacidade de escuta é uma das necessidades mais urgentes da sociedade atual.

 

Ao longo da entrevista, o futuro sacerdote também refletiu sobre os impactos da tecnologia e da comunicação digital na vida contemporânea. Embora reconheça a importância das ferramentas digitais, alertou para os riscos do isolamento excessivo e da “virtualidade sem humanização”.

 

“Precisamos preservar rostos e vozes”, afirmou, em sintonia com os apelos recentes da Igreja sobre comunicação e presença humana nas relações.

 

A lembrança da mãe e a alegria da vocação

Marcelo recordou com alegria da mãe, já falecida, que acompanhou parte importante de sua caminhada vocacional. Mulher de profunda espiritualidade, ela incentivava o filho a discernir seu caminho e desejava vê-lo ordenado sacerdote.

 

“Ela sempre dizia que queria me ver sendo ordenado”, recordou.

 

Sem irmãos e com muitos familiares já falecidos, Marcelo afirmou que a ordenação será vivida especialmente ao lado dos primos e amigos próximos. Ainda assim, destacou que a celebração será motivo de alegria para toda a comunidade cristã. “Precisamos voltar a falar bem das vocações e apoiá-las”, afirmou.

 

“Quem não escolhe nada, não vive”

Ao final da entrevista, Marcelo deixou uma mensagem especial aos jovens que vivem o discernimento vocacional. Para ele, a vocação exige coragem, liberdade e responsabilidade.

 

“Quem não escolhe nada, não vive. Quem quer escolher tudo ao mesmo tempo também está escolhendo nada”, refletiu.

 

O diácono também ressaltou que existem vocações para todas as idades e circunstâncias de vida, recordando que Deus chama cada pessoa em seu próprio tempo.

 

Escolhendo como lema uma passagem da parábola dos trabalhadores da vinha Mt 20, 7 - Ide também para minha vinha, Marcelo afirmou desejar ser um sacerdote próximo das pessoas, atento à escuta e comprometido com a humanização das relações.

 

“Ser alguém disponível para ir à vinha do Senhor, mesmo que em uma hora mais tardia”, resumiu.

 

A ordenação presbiteral do diácono Marcelo Bihre será celebrada no dia 29 de maio, às 20h, na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Porto Alegre e sua primeira missa no dia 31, na mesma comunidade.

 

Confira o PodQuestão ArquiPoa completo!

 



Autor:
Greice Pozzatto

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