26/01/2026
Na Mensagem para o LX Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrada em 2026, o Papa Leão XIV propõe uma profunda reflexão sobre os desafios da comunicação no contexto da cultura digital e do avanço da inteligência artificial. Com o tema “Preservar vozes e rostos humanos”, o Pontífice recorda que comunicar é um ato essencialmente humano, enraizado na dignidade da pessoa criada à imagem e semelhança de Deus.
Logo no início da mensagem, o Papa destaca que o rosto e a voz são sinais únicos da identidade de cada pessoa, expressões da sua vocação irrepetível e fundamento das relações humanas. Ao recordar que o próprio Deus escolheu comunicar-se por meio da Palavra feita carne, no rosto e na voz de Jesus Cristo, o Santo Padre sublinha que preservar a comunicação humana é preservar o próprio ser humano.
Tecnologia: desafio antropológico, não apenas técnico
Leão XIV chama a atenção para os riscos de uma utilização acrítica das tecnologias digitais e da inteligência artificial, especialmente quando estas passam a simular rostos, vozes, emoções e relações humanas. Segundo o Papa, o problema central não é tecnológico, mas antropológico: trata-se de compreender quem somos e que tipo de humanidade estamos a construir.
O Pontífice alerta que, quando mal orientados, os algoritmos podem enfraquecer o pensamento crítico, favorecer a polarização social e reduzir a comunicação a reações rápidas e emocionais, em detrimento da escuta, da reflexão e do discernimento.
O risco de silenciar o pensamento e a criatividade
Outro ponto central da mensagem é o perigo de renunciar ao próprio pensamento, delegando às máquinas funções que exigem envolvimento pessoal, criatividade e responsabilidade. Embora reconheça que a inteligência artificial possa ser um apoio útil, o Papa adverte que o uso indiscriminado dessas ferramentas pode empobrecer as capacidades cognitivas e criativas do ser humano.
Leão XIV manifesta especial preocupação com o impacto da IA na produção cultural e artística, alertando para o risco de transformar pessoas em consumidores passivos, enquanto a criatividade humana é substituída por conteúdos anónimos, sem autoria e sem relação.
Simulação de relações e distorção da realidade
A mensagem também aborda a crescente dificuldade de distinguir, no ambiente digital, interações humanas reais de comunicações geradas por sistemas automatizados, como bots e chatbots. O Papa observa que essas tecnologias, ao simular empatia e proximidade, podem ocupar indevidamente o espaço da intimidade humana, sobretudo entre pessoas mais vulneráveis.
Além disso, o Pontífice denuncia os riscos da desinformação, dos preconceitos algorítmicos e da criação de “realidades paralelas”, agravados pela crise do jornalismo baseado na verificação rigorosa dos fatos. Nesse contexto, reforça que a informação é um bem público e deve ser tratada com responsabilidade, transparência e compromisso com a verdade.
Uma aliança possível baseada em responsabilidade, cooperação e educação
Sem rejeitar a inovação, o Papa Leão XIV propõe a construção de uma aliança ética para orientar o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial. Essa aliança, segundo ele, deve apoiar-se em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.
O Santo Padre dirige apelos específicos às plataformas digitais, aos desenvolvedores de tecnologia, aos legisladores, aos meios de comunicação e à sociedade em geral, para que coloquem o bem comum e a dignidade humana acima dos interesses económicos.
Por fim, destaca a urgência de investir na literacia midiática, informacional e em inteligência artificial, especialmente junto aos jovens, mas também alcançando idosos e pessoas em situação de exclusão digital. Como Igreja, afirma o Papa, os católicos são chamados a contribuir para uma cultura da comunicação mais humana, crítica e responsável.
Comunicação como dom a ser preservado
Concluindo a mensagem, o Papa Leão XIV reafirma que é necessário que o rosto e a voz voltem a expressar a pessoa, e que toda inovação tecnológica seja orientada para o serviço da comunicação como dom fundamental do ser humano.
A mensagem foi divulgada em 24 de janeiro de 2026, memória de São Francisco de Sales, padroeiro dos comunicadores.
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