17/06/2026
A Comissão Episcopal para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentou, durante a reunião do Conselho Permanente da entidade, os resultados da Pesquisa Nacional "Evangelização da Juventude no Brasil – 2025", um amplo levantamento que ouviu 11.498 adolescentes e jovens de todas as regiões do país. O estudo busca oferecer subsídios para a ação evangelizadora da Igreja junto às novas gerações e orientar processos de escuta, reflexão e tomada de decisões pastorais.
A apresentação foi conduzida pelo presidente da Comissão Episcopal para a Juventude, dom Vilson Basso, bispo de Imperatriz (MA), e pela pesquisadora Dra. Patrícia Espíndola Teixeira, coordenadora do Observatório Juventudes da PUCRS, responsável pela coordenação do grupo de pesquisa que elaborou o relatório. Cerca de 20 mil exemplares do estudo deverão ser impressos até setembro e distribuídos às dioceses de todo o país.
Os dados foram coletados entre maio e julho de 2025 por meio de um questionário digital respondido voluntariamente por jovens de 12 a 29 anos. A maioria dos participantes tem entre 18 e 24 anos (64,8%), sendo 55,6% mulheres e 44,4% homens. A pesquisa alcançou todas as regiões brasileiras e apresenta um retrato abrangente da realidade juvenil católica contemporânea.
Sofrimento emocional desafia a evangelização
Entre os dados que mais chamaram a atenção está a situação da saúde mental dos jovens. Mais da metade dos entrevistados afirmou não se sentir emocionalmente bem de forma plena. A dificuldade de memória e atenção, associada ao uso excessivo de telas, à privação do sono e à ansiedade, foi apontada por 37,6% dos participantes. Outros 36,7% disseram sentir-se inseguros na maior parte do tempo, situação que impacta diretamente a autoestima, os processos decisórios e até mesmo a abertura à experiência de fé.
O levantamento também identificou que problemas familiares (17,2%), dependência digital (16%) e adoecimentos psíquicos figuram entre as principais dificuldades enfrentadas pela juventude.
Ao analisar os resultados, os pesquisadores destacam a necessidade de que a pastoral juvenil incorpore ações de acolhimento e cuidado emocional, reconhecendo os sofrimentos que marcam a vida dos jovens na atualidade.
Fé aparece como fonte de força e esperança
Se por um lado a pesquisa evidencia fragilidades, por outro revela importantes sinais de resiliência. A espiritualidade surge como o principal fator de fortalecimento dos jovens. Para 64% dos entrevistados, a fé os ajuda a enfrentar os desafios do cotidiano. Outros 55,8% afirmaram que a participação em grupos e atividades pastorais contribui para seu fortalecimento pessoal e espiritual. Além disso, 43,4% demonstram esperança em relação ao futuro, mesmo diante das dificuldades enfrentadas.
O estudo conclui que a espiritualidade não aparece como fuga dos problemas, mas como uma força concreta para enfrentá-los. Por isso, recomenda que a evangelização juvenil valorize ainda mais os processos de acompanhamento, amizade, pertença comunitária e discernimento vocacional.
Família continua sendo a principal porta de entrada para a fé
A pesquisa também confirma o papel decisivo da família na transmissão da fé. Entre os jovens entrevistados, 98,3% se declaram católicos e 93,6% já receberam os sacramentos da iniciação cristã. A maioria afirma ter conhecido a fé por meio dos pais (46%) e dos avós (19%), totalizando mais de 65% dos respondentes.
Outro dado significativo aponta que 68,5% participam da Missa semanalmente, demonstrando forte vínculo com a vida sacramental da Igreja.
Juventude conectada e em busca de espiritualidade
No ambiente digital, a pesquisa revelou um dado surpreendente: religião e espiritualidade são os temas mais procurados pelos jovens entrevistados na internet, superando conteúdos de entretenimento, educação e política.
As redes sociais são hoje a principal fonte de informação para esse público, com destaque para Instagram, TikTok, Facebook e X. No entanto, a Igreja aparece como a terceira maior fonte de informação, sendo citada por 13,5% dos jovens, à frente de influenciadores digitais e youtubers, mencionados por 12,4%.
O relatório sugere que a presença evangelizadora nos ambientes digitais deve ser ampliada, sem perder de vista a importância da vivência comunitária presencial e dos vínculos concretos na comunidade de fé.
Escuta para renovar a ação pastoral
A pesquisa investigou ainda temas relacionados à participação em grupos juvenis, protagonismo dos jovens na Igreja, vocação, projeto de vida, engajamento social e desafios contemporâneos. Entre as conclusões, destaca-se a necessidade de criar espaços mais adequados para os jovens adultos, fortalecer a amizade e o acompanhamento pastoral e promover uma evangelização capaz de dialogar com as realidades concretas das novas gerações.
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Foto e informações: Site da CNBB / Willian Bonfim