02/05/2026
A comunidade católica de Glorinha viveu, no dia 28 de abril, um momento histórico e profundamente simbólico: a acolhida e guarda dos restos mortais do reverendíssimo cônego Pedro Wagner na Igreja Matriz Nossa Senhora da Glória. A celebração solene reuniu fiéis, autoridades civis e religiosas, resgatando a memória de um sacerdote que marcou a história da fé na região.
A Missa Solene, presidida por Dom Bertilo João Morsch, bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre e referencial para o Vicariato de Gravataí, teve início às 19h e foi marcada por um clima de oração, reverência e gratidão. Também concelebraram padres e diáconos da região, entre eles o pároco local, Pe. Manoel Scheimann da Silva, idealizador da homenagem, e o Pe. Léo Hastenteufel.
A cerimônia integrou um conjunto de atos litúrgicos e devocionais iniciados dias antes, incluindo procissão, celebrações e momentos de oração nas comunidades. O traslado dos restos mortais, já exumados anteriormente, foi realizado com solenidade, incluindo cortejo e homenagens ao longo do percurso.
Durante a celebração, os restos mortais do cônego permaneceram em “câmara ardente” diante do altar, enquanto a comunidade acompanhava a liturgia com cânticos sacros, conduzidos pelo Coral Nossa Senhora dos Anjos, de Gravataí.
Ritual solene e significado eclesial
Após a Missa, foi realizada a cerimônia de inumação na própria igreja matriz, em local preparado especialmente para acolher os restos mortais. O espaço, com acabamento produzido por empresa local, inclui um óculo na parede, onde a urna foi depositada.
A urna foi devidamente fechada e lacrada com cera e sinete pelo pároco, em um gesto que expressa respeito, zelo e a preservação da memória. Conforme registrado em ata, esse lacre só poderá ser rompido com autorização expressa do arcebispo de Porto Alegre ou de seu delegado.
O momento final foi marcado por uma procissão até depósito definitivo da urna onde foi dada a bênção.
Memória viva no ano do sesquicentenário
De acordo com o Pe. Manoel Scheimann da Silva, a iniciativa acontece em um contexto especial: o sesquicentenário da comunidade católica de Glorinha, fundada em 1876. “A homenagem ao cônego Pedro Wagner reforça o vínculo entre passado e presente, reconhecendo sua dedicação à evangelização da região por décadas”, explica.
Segundo ele, o sacerdote teve atuação marcante, especialmente quando a atual paróquia ainda era uma comunidade em formação. Sua presença deixou raízes profundas na vida de fé do povo, sendo lembrado como pastor zeloso e próximo da comunidade.
A decisão de trasladar e guardar seus restos mortais na igreja matriz também recebeu reconhecimento público. O ato foi registrado oficialmente e contou com a presença de autoridades como o prefeito de Glorinha, Carlos Leonardo Vargas Carvalho, e a vereadora Sílvia Eccel, além de representantes da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.
Celebração que une história, fé e identidade
Mais do que um ato memorial, a celebração revelou a força da tradição e da identidade de um povo que reconhece, na história de seus pastores, sinais concretos da presença de Deus.
Ao reunir diferentes gerações em torno deste momento, destaca o padre Manoel, a comunidade reafirma sua caminhada de fé, agora também marcada pela presença permanente daquele que ajudou a construí-la.
A ata oficial da cerimônia foi assinada por autoridades e testemunhas.
Fotos: Paróquia Nossa Senhora da Glória / Vicariato de Gravataí