17/06/2026
A poucos dias de sua ordenação presbiteral, o diácono Gustavo Ávila de Fraga compartilhou sua trajetória de vida, vocação e esperança durante participação no PorQuestão ArquiPoa, podcast da Arquidiocese de Porto Alegre. Em um testemunho marcado pela simplicidade, gratidão e emoção, ele recordou os caminhos que o conduziram ao sacerdócio e revelou os sentimentos que antecedem um dos momentos mais importantes de sua vida.
Filho caçula de uma família profundamente ligada à fé, Gustavo cresceu na Comunidade Santa Cruz, em Canoas, onde recebeu os sacramentos da iniciação cristã e deu os primeiros passos na vida eclesial. “Na barriga da mãe eu já ia à igreja todo domingo”, recordou com bom humor, destacando a influência decisiva da família em sua caminhada.
Foi também na comunidade que nasceu outra de suas grandes paixões: a música. Ainda criança, aprendeu a tocar instrumentos e, mais tarde, desenvolveu o canto e a música litúrgica, dons que o acompanham até hoje e que se tornaram importantes instrumentos de evangelização.
O chamado que amadureceu com o tempo
Diferentemente de muitas vocações que surgem ainda na adolescência, Gustavo se considera uma “vocação adulta”. Formado como técnico em Mecânica, ele já trabalhava quando começou a perceber mais claramente o chamado de Deus.
O momento decisivo aconteceu durante a Jornada Mundial da Juventude de 2013, no Rio de Janeiro, com a presença do Papa Francisco. Segundo ele, aquele evento “tocou o meu coração e começou a me fazer pensar mais naquilo que Deus queria para a minha vida”, recordou.
A partir dali, iniciou um período de discernimento que culminou em sua entrada no seminário, em 2016, aos 21 anos de idade.
Apoio da família e inspiração sacerdotal
Embora a notícia da entrada no seminário tenha causado inicialmente certa surpresa, especialmente para sua mãe, Gustavo afirma que sempre recebeu o apoio incondicional da família.
“A gente querer um padre é uma coisa; quando é o nosso filho, é um pouquinho diferente”, comentou, sorrindo.
Entre as pessoas que marcaram sua caminhada vocacional, ele destacou o padre João Carlos Andrade, conhecido como Padre Joca, atualmente pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Canoas. Ao acompanhar de perto seu ministério, encontrou um modelo de sacerdote que o ajudou a confirmar sua própria vocação.
“Na forma como ele atendia as pessoas e servia o povo de Deus, eu comecei a enxergar também a minha vida.”
Em sinal de gratidão, Gustavo o escolheu como padrinho de ordenação.
Os anos de formação
A caminhada formativa passou pelo Seminário Propedêutico de Gravataí e, posteriormente, pelo Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, em Viamão.
Ao recordar esse período, o futuro sacerdote destaca os aprendizados proporcionados pela vida comunitária, pela formação intelectual e pelas experiências pastorais em diversas paróquias da Arquidiocese.
Uma das etapas mais marcantes aconteceu em 2019, quando interrompeu temporariamente os estudos para realizar uma experiência pastoral na Paróquia Santa Terezinha, em Capão da Porteira, Viamão.
Ali conviveu com o padre José Inácio Messa, a quem se refere com profundo carinho.
“Foi um pai para mim. Sou muito grato por aquele ano e por tudo o que aprendi naquela realidade.”
Ao longo dos anos, também passou por comunidades em Gravataí, Porto Alegre, Canoas, Alvorada e, mais recentemente, Eldorado do Sul, onde segue atuando.
Música, juventude e escuta
Além da vocação sacerdotal, a música ocupa um espaço especial em sua vida. Gustavo realizou especialização em música litúrgica e chegou a compor e adaptar melodias utilizadas em celebrações e ordenações sacerdotais.
Mas, ao refletir sobre o ministério que deseja exercer, ele destaca outra característica que considera um dom recebido de Deus: a capacidade de escutar.
Segundo ele, a sociedade atual vive uma profunda necessidade de acolhimento e escuta.
“As pessoas têm sede de serem escutadas. Muitas vezes, o sacerdote é aquele lugar de confiança onde elas podem ser acolhidas, compreendidas e encontrar a misericórdia de Deus.”
Inspirado pelo magistério do Papa Francisco, Gustavo acredita que o padre deve ser alguém capaz não apenas de ensinar, mas também de aprender com as pessoas que encontra ao longo do caminho.
A emoção da ordenação
A ordenação presbiteral acontece no dia 19 de junho, às 20h, na Paróquia São Luís Gonzaga, em Canoas. A proximidade da data tem despertado sentimentos intensos.
“O coração está igual língua de sogra, saindo pela boca”, brincou.
Apesar da ansiedade natural, Gustavo descreve este período como um tempo de profunda alegria e gratidão.
Entre as emoções que mais o tocam está a consciência da missão que receberá como sacerdote.
“Pensar que vou poder consagrar o pão e o vinho, trazer Cristo sacramentalmente à vida das pessoas, oferecer os sacramentos e anunciar a misericórdia de Deus é algo muito grandioso.”
Um lema para toda a vida
Para seu ministério sacerdotal, Gustavo escolheu como lema a passagem bíblica: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21).
A frase resume aquilo que deseja viver ao longo de sua caminhada: ter o Evangelho como centro de toda a ação pastoral.
“Que o meu coração possa sempre levar a verdade de Cristo, não as minhas ideias ou convicções pessoais, mas o Evangelho.”
“Vale a pena, vale a vida”
Ao final da entrevista, Gustavo dirigiu uma mensagem especial aos jovens que vivem o discernimento vocacional.
“Não tenham medo de entregar a vida a Cristo, porque vale a pena. Aliás, não vale apenas a pena: vale a vida.”
Recordando as palavras de Santo Agostinho, afirmou que existe no coração humano um espaço que somente Deus pode preencher plenamente.
E deixou um convite para aqueles que sentem inquietações vocacionais:
“Procurem um padre, um seminarista, uma religiosa. Não deixem passar a graça de Deus. É somente na vontade de Deus que seremos plenamente felizes.”
Com simplicidade, ele também revelou como gostaria de ser lembrado no futuro: não como alguém famoso ou reconhecido por títulos, mas como um sacerdote que procurou ser sinal da misericórdia de Deus. “Quero ser lembrado como alguém que passou fazendo o bem, apresentando Cristo e não a si mesmo.”
Assista ao PodQuestão ArquiPoa no vídeo abaixo!