VI Jornada Arquidiocesana de Iniciação à Vida Cristã reúne cerca de 700 catequistas

23/09/2026

VI Jornada Arquidiocesana de Iniciação à Vida Cristã reúne cerca de 700 catequistas

Encontro celebrou os 10 anos de implantação e consolidação da catequese de inspiração catecumenal na Arquidiocese de Porto Alegre

 

Cerca de 700 catequistas da Arquidiocese de Porto Alegre participaram, no sábado, 19 de setembro, da VI Jornada Arquidiocesana de Iniciação à Vida Cristã (IVC). Com o lema “Alarga o espaço da tua tenda” (Is 54,2), o encontro foi marcado pela celebração, formação e reflexão sobre os caminhos percorridos ao longo dos dez anos de implantação e consolidação da proposta de catequese de inspiração catecumenal na Arquidiocese.

 

A programação, conforme explica a Irmã Maria Aparecisa Barbosa, Coordenadora Arquidiocesana de IVC, foi organizada em torno de três temas de reflexão, que abordaram os avanços, os desafios e as perspectivas para a transmissão da fé diante das transformações culturais e pastorais.

 

A jornada também contou com a presença do arcebispo metropolitano, Dom Jaime Cardeal Spengler, e foi concluída com a celebração eucarística presidida por Dom Bertilo Morsch, bispo referencial da Iniciação à Vida Cristã na Arquidiocese.

 

Dez anos de caminhada: avanços e desafios

A primeira reflexão foi conduzida pelo Pe. Rafael Martins, que abordou o tema “Iniciação à Vida Cristã: 10 anos depois. Onde e como estamos?”. A partir dos resultados de uma pesquisa quantitativa realizada pela Coordenação Geral da Iniciação à Vida Cristã em 2025, o sacerdote apresentou um panorama da caminhada da Arquidiocese na última década.

 

Entre os avanços, destacou a unidade construída em torno de uma catequese de inspiração catecumenal. Segundo a reflexão apresentada, um dos grandes frutos desses dez anos foi justamente a consolidação de uma proposta comum para a Iniciação à Vida Cristã nas diferentes comunidades.

 

Ao mesmo tempo, foram apontados desafios que ainda permanecem. Entre eles está a necessidade de fortalecer as equipes de coordenação paroquial. A orientação da IVC prevê que cada paróquia tenha uma equipe formada por uma coordenação e referências para as diferentes etapas da catequese: Batismo, Eucaristia, Crisma e adultos. Embora diversas paróquias já tenham avançado nessa organização, ainda existem comunidades que não conseguiram estruturar suas equipes.

 

Outro ponto destacado foi a necessidade de ampliar o número de catequistas, garantindo pessoas preparadas para acompanhar as diferentes etapas do processo de iniciação cristã.

 

Na avaliação do período pós-pandemia, Pe. Rafael também chamou atenção para a catequese batismal. Antes da pandemia, muitas paróquias contavam com catequistas que realizavam encontros de preparação para o Batismo diretamente nas casas das famílias.

 

A prática, segundo a reflexão apresentada, possibilita resgatar a dimensão da Igreja doméstica e aproximar pais e padrinhos da experiência de fé. O Batismo, nesse sentido, é compreendido também como uma oportunidade de evangelização e de despertar para a vocação batismal.

 

Nas etapas de Eucaristia e Crisma, foi ressaltado o envolvimento comunitário alcançado ao longo dos anos, mas também o desafio de ajudar jovens e adultos a compreenderem que a participação na comunidade não termina com a recepção de um sacramento.

 

De acordo com a reflexão apresentada durante a jornada, as paróquias que acolheram e colocaram em prática as orientações da Iniciação à Vida Cristã têm percebido sinais de revitalização da fé, com maior participação, alegria e envolvimento da comunidade.

 

Iniciação à Vida Cristã e sinodalidade

O segundo momento formativo foi conduzido pela Dra. Mariana Aparecida Venâncio, que abordou a relação entre a Iniciação à Vida Cristã e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, em perspectiva sinodal.

 

A assessora destacou a profunda relação entre a catequese de inspiração catecumenal e a experiência da sinodalidade, uma vez que o processo envolve diferentes sujeitos: catequizandos, famílias, catequistas e toda a comunidade eclesial.

 

Nesse caminho, a comunidade possui papel fundamental. Ela não é apenas o espaço onde acontece a catequese, mas participa ativamente do processo de transmissão da fé. A comunidade é chamada a ser, portanto, primeira catequizadora, envolvendo catequistas, famílias e catequizandos.

 

A reflexão reforçou a compreensão de que a Iniciação à Vida Cristã não pode ser reduzida a encontros de preparação para os sacramentos, mas deve conduzir a uma experiência de fé vivida e celebrada em comunidade.

 

O catequista como discípulo missionário

A terceira reflexão foi conduzida por Dom Odaír, que tratou da espiritualidade do catequista como discípulo missionário diante dos novos desafios da transmissão da fé.

 

Segundo Dom Odaír, o catequista é chamado a transmitir a fé não apenas por meio das palavras, mas também pelo testemunho e pela alegria de sua própria experiência com Jesus Cristo. A catequese deve conduzir crianças, adolescentes, jovens e adultos ao encontro com Cristo e à vida comunitária.

 

Nesse processo, a espiritualidade do catequista passa pela descoberta da própria identidade como pessoa vocacionada para a catequese, pelo encontro pessoal e comunitário com Jesus e pelo sentimento de pertença à Igreja.

 

“Permanecer em Cristo para dar frutos” foi uma das perspectivas apresentadas para compreender a missão do catequista.

 

A reflexão também abordou os desafios trazidos pelas novas gerações e pela cultura digital. Entre eles estão a necessidade de adaptar linguagens e formas de comunicação, aproximar-se das famílias e dos catequizandos e compreender o ambiente digital no qual crianças e jovens estão inseridos.

 

A cultura digital, conforme ressaltado, não deve ser simplesmente condenada ou rejeitada. O desafio está em aproximar-se dessa realidade e educar para o uso adequado e responsável dos meios de comunicação, reconhecendo-os também como espaços onde a evangelização pode acontecer.

 

“Um dos lugares mais incisivos para a transmissão da fé”

Na abertura da jornada, Dom Jaime Cardeal Spengler acolheu os catequistas e agradeceu o trabalho e o empenho daqueles que atuam na Iniciação à Vida Cristã em toda a Arquidiocese.

O arcebispo ressaltou que a Iniciação à Vida Cristã constitui atualmente “um dos lugares mais incisivos para a transmissão da fé”.

 

Segundo Dom Jaime, o processo catequético de inspiração catecumenal possui uma dimensão mistagógica e eclesial. É mistagógico porque conduz famílias e catequizandos ao encontro com Jesus Cristo e é eclesial porque prepara e desperta para o pertencimento à comunidade.

 

A Iniciação à Vida Cristã também foi apresentada como um paradigma para a evangelização, uma vez que a experiência da fé está profundamente ligada ao encontro com Jesus Cristo e à vida em comunidade.

 

Nesse sentido, o processo de iniciação busca formar discípulos missionários de Jesus Cristo, capazes de viver a fé e participar ativamente da comunidade eclesial.

 

Catequista: uma pessoa que vive e testemunha a fé

A jornada foi encerrada com a celebração eucarística presidida por Dom Bertilo Morsch, bispo referencial da Iniciação à Vida Cristã na Arquidiocese.

 

Durante a homilia, Dom Bertilo destacou a importância da pessoa do catequista e a necessidade de que aquele que transmite a fé faça, antes de tudo, a própria experiência do encontro com Jesus Cristo.

 

Os frutos da Iniciação à Vida Cristã, segundo a reflexão apresentada pelo bispo, passam pelo testemunho de um catequista alegre, encantado por Jesus e comprometido com uma vivência pessoal e comunitária da fé.

 

Irmã Cida conclui que a jornada ajudou os participantes a compreender que a catequese não constitui uma ação isolada, mas integra o conjunto da missão evangelizadora da Igreja.

 

Para ela, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil apresentam a Iniciação à Vida Cristã como um dos eixos da ação pastoral. Nesse contexto, os dez anos de caminhada foram celebrados como uma oportunidade de reconhecer os avanços, identificar os desafios que permanecem e renovar o compromisso dos catequistas com a missão de anunciar Jesus Cristo.

 

Fotos: Cristione, Carla e Katya Socorro / Catequistas

Mais fotos clicando aqui



Autor:
Greice Pozzatto / Jornalista e Assessora de Comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre

Tags: