22/06/2026
No sábado, 20 de junho, o projeto Visitas Culturais, promovido pelo Arquivo Histórico da Arquidiocese de Porto Alegre, realizou mais uma edição de seu roteiro mensal, proporcionando aos participantes uma imersão na obra do artista italiano Aldo Locatelli, um dos mais importantes muralistas da história do Rio Grande do Sul.
A atividade incluiu visitas ao Palácio Piratini e à Paróquia Santa Teresinha, na rua Ramiro Barcelos, no bairro Floresta, dois espaços marcados pela presença da arte de Locatelli. A condução do percurso foi realizada pela pesquisadora e estudiosa da vida e obra do artista, Dra Luciana de Oliveira, que apresentou aos participantes aspectos históricos, artísticos e culturais das pinturas.
Segundo a historiógrafa da Arquidiocese de Porto Alegre, Vanessa Gomes de Campos, a proposta do roteiro foi justamente evidenciar as diferentes dimensões da atuação de Locatelli. “Pensamos em mostrar esse contraste entre o Locatelli pintor do Palácio Piratini e o Locatelli pintor de uma igreja toda ornamentada por ele, que é a Santa Teresinha”, explicou.
Vanessa recordou que o artista chegou ao Brasil em 1948 para trabalhar em igrejas de Pelotas e, posteriormente, desenvolveu importantes obras em Porto Alegre, tanto em espaços religiosos quanto civis. Ela destacou ainda que o projeto Visitas Culturais busca aproximar a população do patrimônio histórico e artístico da Arquidiocese por meio de parcerias e roteiros temáticos realizados mensalmente.
“Acompanhar nossas redes sociais é a melhor forma de conhecer os próximos roteiros e conferir registros das atividades já realizadas”, ressaltou.
Um legado que ultrapassa gerações
Durante a visita, Luciana de Oliveira destacou a relevância de Aldo Locatelli para a formação cultural e visual do Rio Grande do Sul. Para ela, o artista soube transitar entre diferentes linguagens e contextos sem perder sua identidade como pintor sacro.
“Ele produziu uma narrativa grandiosa sobre a formação histórica do nosso Estado, sobre o povo gaúcho e sua cultura, mas também manteve viva sua essência de pintor religioso. Esses aspectos são diferentes, mas se complementam”, afirmou.
A pesquisadora ressaltou que a contribuição de Locatelli para as artes e para a memória coletiva gaúcha é imensurável. “Ele tem uma relevância infinita para a nossa cultura, para a nossa formação histórica e também para a nossa formação visual. Foi, de certa forma, o primeiro grande muralista de Porto Alegre”, observou.
Luciana também destacou os avanços na democratização do acesso às obras do artista. Se há alguns anos grande parte de seus trabalhos permanecia pouco acessível ao público, hoje espaços como o Palácio Piratini oferecem visitas regulares, permitindo que mais pessoas conheçam esse patrimônio artístico.
“Apesar de as pessoas reconhecerem a importância de Locatelli, ainda precisamos ampliar o acesso às suas obras e possibilitar que mais pessoas usufruam desse legado extraordinário que ele nos deixou”, concluiu.
O projeto Visitas Culturais segue promovendo encontros mensais, valorizando a história, a arte e a memória presentes nos espaços da Arquidiocese de Porto Alegre e da capital gaúcha, fortalecendo o vínculo entre patrimônio cultural, fé e identidade.
Fotos: Elias De Marco / Arquivo Histórico Arquidiocese de Porto Alegre