06/05/2026
No dia 3 de maio, celebraremos os 400 anos da fundação da primeira redução jesuítico-guarani no Rio Grande do Sul. Desse marco histórico, floresceu um singular modelo de civilização, fruto da fecunda união entre os conhecimentos dos missionários jesuítas e a cultura do povo guarani.
Esse modelo de evangelização e organização social foi uma inovação proporcionada pela troca de saberes que ocorreu do encontro entre os missionários jesuítas e os povos indígenas. As reduções situadas no atual território do Rio Grande do Sul constituíram o derradeiro empreendimento desse projeto realizado pela Companhia de Jesus.
Dessa epopeia destacam-se alguns personagens que tornaram possível à Igreja e ao Rio Grande do Sul o privilégio de uma rica experiência de vivência do Evangelho e de virtuosa colaboração entre culturas. O primeiro a ser lembrado é o fundador da redução de São Nicolau, Padre Roque González de Santa Cruz. Nascido no Paraguai, dominava a língua guarani e, ao chegar a São Nicolau, já havia participado da fundação de reduções na Argentina e no Paraguai. O segundo foi o Padre Antonio Sepp von Rechegg, Jesuíta austríaco, nasceu no Tirol em 1655 e faleceu em San José (Misiones) em 1733. Destacou-se como músico, arquiteto, escultor, urbanista, pintor e escritor, tendo sido também administrador de diversas reduções jesuíticas. Além de sua contribuição para a música, a pintura e a arquitetura nas missões, é lembrado ainda como o fundador da siderurgia no Rio Grande do Sul. Um terceiro é Sepé Tiaraju, popularmente invocado como São Sepé Tiaraju. Nascido na redução de São Luiz Gonzaga em 1723, destacou-se como líder e guerreiro guarani. Sepé enfrentou os impérios espanhol e português, liderando a resistência contra o Tratado de Madrid. Por sua luta em defesa de seu povo e de sua terra, é lembrado como mártir da causa guarani.
Assim, neste ano, temos a oportunidade de revisitar as raízes culturais do nosso Estado e de refletir sobre a contribuição duradoura dos Sete Povos das Missões para a formação da nossa cultura e a vivência da nossa fé.