01/03/2026
O caminho trilhado por Jesus, desde as tentações no deserto até o monte da Transfiguração, é uma subida que liberta. Vai das trevas da tentação até à luz de Deus. Esse caminho de Cristo é o caminho de cada um de nós que o seguimos.
O Evangelho da Transfiguração nos faz entender que a Quaresma, mais do que um tempo de penitência, é o caminho de conversão ou de volta à luz, um reencontro com a luz e a beleza da vida. São Paulo escreve a Timóteo uma frase maravilhosa: Cristo veio e “fez brilhar a vida” (2Tm 1,10). Não só o seu rosto e as suas vestes brilharam no Tabor; não só os nossos sonhos, mas a vida de todos. Poderíamos repetir sem cansar, com alegria: “Fizeste brilhar a vida”.
A Páscoa fará rolar a pedra para dizer que a noite foi vencida para sempre e que nas trevas da nossa vida irrompe Cristo Ressuscitado, a Luz da Vida. Expondo-nos à sua luz como a lua se deixa iluminar pelo sol, poderemos, depois, irradiá-la por toda parte. Assim fizeram os discípulos, Maria e muitos outros incontáveis. Santa Tereza de Calcutá dizia que, ao contemplar Jesus na Eucaristia, deixava que ele colocasse o seu amor dentro do coração dela para depois ela levá-lo aos pobres.
Como a planta que, diante do sol, capta a luz e a transforma em vida, assim, também nós, raminhos de erva diante do Senhor, podemos nos impregnar, deixar-nos permear pela sua luz e transformá-la em calor humano, em alegria, em beleza.
Todos nós temos um tesouro de luz, que é a nossa imagem e semelhança com Deus. Toda a vida cristã consiste no esforço alegre de libertar toda a luz que há dentro de nós. Isso se dá na medida em que amamos.