EU, PORÉM, VOS DIGO Mt 5,17-37 Dom Carlos Romulo

15/02/2026

Continuamos na montanha com Jesus. No alto, Ele nos ensina sobre o Reino dos Céus. Como cumprir plenamente o que dizem a Lei e os Profetas?

 

O Sermão da Montanha revela o coração da Nova Aliança. Se Moisés recebeu e transmitiu as Tábuas da Lei, se os Profetas foram os grandes defensores da Aliança ao ponto de propor uma “circuncisão no coração”, o que Jesus está nos propondo quando diz “não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas completar” (Mt 5, 17)?

 

Na verdade, no Sermão da Montanha, Jesus está se apresentando. O cumprimento pleno da Lei e dos Profetas se dá na cruz, na entrega da sua vida. As palavras “eu, porém, vos digo” (Mt 5,17a) não são apenas novas palavras a serem acrescentadas ao que dizem a Lei e os Profetas, mas a superação da Antiga Aliança como cumprimento. Não é um desprezo, ‘‘não vim abolir’’, mas o cumprimento em primeira pessoa: “Isto é o meu corpo entregue por vós; isto é o meu sangue derramado por vós”. A encarnação, a missão e a Páscoa de Nosso Senhor revela o “eu, porém, vos digo”. Portanto, o ensinamento de Jesus não é simplesmente algo a ser estudado, mas, um convite ao seguimento, ao discipulado.

 

São João Paulo II, na Carta Apostólica Novo millennio ineunte (2001), nº 31, escreveu que, perguntar a um catecúmeno se ele quer receber o batismo é o mesmo que perguntar-lhe se ele quer ser santo. E fazer-lhe esta última pergunta é colocá-lo no caminho do Sermão da Montanha. O Papa completa afirmando que a santidade é a “medida alta da vida cristã ordinária”. Portanto, é fundamental para nós cristãos compreendermos que, ganhar altura, buscar as coisas do alto, não é para separar a poeira e o lamaçal da história quotidiana, mas, os encher de um amor maior.

 



Autor:
Greice Pozzatto

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