12/08/2025
A Inteligência Artificial (IA) é um produto das mãos humanas, carregando a marca da arte e da imaginação humana. Um dos objetivos dessa tecnologia é imitar a inteligência humana que a projetou. Sua influência é experimentada em uma ampla gama de setores, incluindo as relações interpessoais, a educação, o trabalho, a arte, a saúde, o direito, a guerra e as relações internacionais. Ela não fundamenta, mas calcula! A ela não se deve atribuir um valor desproporcional, pois o valor de todas as coisas criadas não pode ser reduzido a algorítmicos.
Sistemas algorítmicos e plataformas digitais são estruturas de poder e, como tais, precisam ser analisadas criticamente, sob as lentes da justiça distributiva. A coleta e exploração de dados é assimétrica, com grandes corporações centralizando capacidades analíticas e computacionais. Estas operam através de uma lógica de extração comportamental que converte a experiência humana em dados para alimentar mercados preditivos. Os dados coletados possuem implicações políticas, econômicas e sociais, fornecidos gratuitamente por todos os cidadãos.
As conquistas tecnológicas – e não existe tecnologia perfeita! – são um bem comum a ser governado pela coletividade, e não como propriedade privada a ser maximizada para lucro. Por isso, quanto mais crescer o poder do ser humano, tanto mais se estende sua responsabilidade. Encontrar o equilíbrio entre inovação, segurança e bem comum pressupõe a observância e a proteção dos direitos humanos, sensibilidade ética, procedimentos de avaliação e mitigação de riscos. Como dizia G. Bernanos “o perigo não está na multiplicação das máquinas, mas no número crescente de pessoas habituadas, desde a infância, a desejar apenas aquilo que as máquinas podem oferecer”.
Como expressão da capacidade humana, o uso da IA deve contribuir para a promoção do bem comum, o cuidado da ‘Casa Comum’, o avanço na busca da verdade, o suporte ao desenvolvimento humano integral, o incentivo à solidariedade e à fraternidade humana, conduzindo a humanidade ao seu objetivo último: a felicidade plena.
Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo Metropolitano
Presidente da CNBB e do CELAM