08/02/2026
Escutamos hoje, no eco das bem-aventuranças: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14). O Senhor Jesus afirma: “Vós sois”. Isto já é para nós uma provocação, pois está nos revelando um ‘‘tesouro escondido’’, que talvez ainda não o conheçamos. Mas, já se mostra algo maravilhoso que está em nós e que o Senhor, que nos conhece profundamente, nos revela.
Não é uma condição moral, um imperativo que devêssemos lutar para ser sal e para ser luz. Já o somos por graça, porque fomos criados à imagem e semelhança de Deus. O Filho de Deus nos revela esta condição que, acolhida com boa disposição, gera uma ética evangélica e uma moral que sempre se renova na revelação ao mundo dos filhos e filhas de Deus.
Quando falamos de sal, nos vem à mente o sabor, a conservação e a integridade. Quando falamos de luz, experimentamos a claridade que nos dá segurança para caminhar, mesmo em meio às trevas. Onde encontrar este ‘‘sabor existencial que ilumina o mundo’’? Este versículo está nos dando a senha para a acolhida de todo o Evangelho. Portanto, aceitar que somos ‘‘sal da terra e luz do mundo’’ significa cultivar nossa relação com Aquele que é o Filho de Deus e, portanto, a “Luz do mundo”. Não é um projeto autorreferenciado, de perfeição própria, mas um modelar-se Naquele que se fez servo de todos para a todos iluminar.
O Papa Bento XVI nos recordava que hoje, mais do que nunca, precisamos viver ao estilo do Bom Pastor, do samaritano, com “um coração que vê” (Deus caritas est, nº 31). Ao relacionarmos nossa existência ao Senhor, descobrimos o sabor, o sentido em nossa jornada e vamos nos tornando um reflexo da luz que é Cristo, Aquele que ilumina o mundo.
Por Dom Carlos Romulo
Bispo da Diocese de Montenegro