TORNAR-SE FONTE Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42 | Por: Dom João Francisco Salm

08/03/2026

No encontro com a mulher samaritana (Jo 4,5-42), Jesus disse: “vai chamar teu marido”. Ela respondeu: “Eu não tenho marido”. Jesus disse: “Disseste bem que não tens marido, pois tiveste cinco maridos, e aquele que agora tens não é teu marido”. Jesus não julga a samaritana, não a humilha; pelo contrá­rio, dá-lhe um estímulo: “Falaste a verdade”. E nem mesmo pretende que deixe esse homem e que retifique a sua vida antes de lhe entregar a água viva. É o Deus da máxima delicadeza e da humanidade suprema. Assim é o rosto maravi­lhoso de Deus.

 

Há um meio de chegar ao poço profundo de cada pessoa. Não é pela censura, pela crítica, ou pela acusação. Para alcançar a mais profunda interioridade de alguém é preciso dar de provar e experimentar um “pouco mais” de vida, de beleza e de bondade: “Dar-te-ei uma água que jorra, que se torna fonte”.

 

Jesus permite à samaritana que se una à sua fonte para se tornar ela própria fonte. Uma imagem encantadora de uma água que corre, que transborda, que se espalha; imagem de uma torrente de vida que é muito mais do que aquilo que sacia apenas a sede física: é água também para a sede dos outros. Essa fonte é fecundidade.

 

A mulher da Samaria compreende que não aplacará a sua sede be­bendo até à saciedade, mas aplacando a sede de outros; descobre que se ilu­minará, iluminando outros; que receberá alegria, dando alegria. Essa compreensão de tornar­-se fonte para os outros, é um maravilhoso projeto de vida: tornar-se para os irmãos e irmãs, fonte de esperança, de acolhimento, de amor.

 

A Campanha da Fraternidade é chamado à conversão e pretende levar-nos a ter olhos para ver os necessitados ao nosso redor.

 



Autor:
Greice Pozzatto

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