OS BENS CULTURAIS 

 

Cultura faz parte de nossas mentes. Tudo que o homem produz, assim como os objetos, os documentos, entre outros, pode ser entendido como forma criativa e simbólica do cotidiano e de visões de mundo. Nesse sentido, nesse espaço pretende-se evidenciar o importante acervo plurissecular de bens móveis, imóveis e integrados custodiados pela Arquidiocese Metropolitana de Porto Alegre, capaz de revelar imbricadas relações entre práticas culturais e representações sociais.
Compreendem-se os bens culturais de caráter religioso como expressões materiais e imateriais que traduzem a fé em múltiplas manifestações. Nesse sentido, são bens passíveis de congregar a diversidade étnico-cultural de nossa sociedade, e que se encontram representados através do patrimônio histórico e artístico da Igreja, tais como: arquitetura, pintura, documentos, festas, etc. 
Historicamente, a formação territorial e social do Rio Grande do Sul fez parte de projetos diversos do império português desde o século XVII, efetivando-se a ocupação do espaço a partir de meados do século XVIII. A Igreja Católica, nesses tempos longínquos, era peça fundamental e constitutiva das realizações políticas, muitas vezes pioneira e mais estruturada que as próprias instituições civis.
Dessa forma, para além das tradições das representações da fé, é necessário buscar compreender o papel histórico da Igreja como produtora de bens que identificam memórias e incitam à reflexão sobre o poder da crença como fenômeno social.
Embora a antiguidade institucional, tem sido relativamente recente – ao menos no Brasil – os estudos da perspectiva da construção religiosa como produtos e produtoras das realidades históricas. Na mesma linha, a relevância dos bens culturais não recebia o devido destaque, conhecimento e cuidado. 
O legado religioso e artístico mantido pela Arquidiocese em suas paróquias está representado através das próprias edificações enquanto bens culturais imóveis, assim como em seus bens integrados, altares, portas, janelas, forros, baldaquinos, púlpitos, etc. E em seus bens culturais móveis, produções artísticas e documentais dos séculos XVIII, XIX e XX (manifestados através de imaginária, artefatos do culto litúrgico, mobiliário, vestuário, livros, documentos, entre outras categorias), constituídos ao longo dos anos, por meio de aquisições do próprio clero, doações, compras e permutas com outras Igrejas. 
Nos últimos decênios, o gradativo processo de profissionalização investido pela Arquidiocese tem criado condições técnicas de tratamento e inventariação destes bens culturais, praticamente desconhecidos, constituindo um espaço apropriado na Catedral Metropolitana para sua realização. 
Além disso, é importante ressaltar o Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana como espaço privilegiado para conhecer, contextualizar e atribuir sentido aos demais bens culturais da Arquidiocese de Porto Alegre. 
Viabilizar o acesso da sociedade aos espaços eclesiásticos e seu conjunto de bens culturais é outra forma de manter a história da Igreja viva e permanente. Por isso, pretende-se neste espaço, promover e divulgar o acervo, as ações culturais e os resultados de pesquisas, dos projetos culturais desenvolvidos pela Arquidiocese, e em parcerias com Instituições Culturais, Universidades e Poder Público.

 

Inestimável Patrimônio Cultural

Dentre o patrimônio cultural móvel e imóvel, com edificações e acervos tombados da Arquidiocese de Porto Alegre, destacam-se: 

- Porto Alegre

Paróquia Nossa Senhora das Dores (edificação e acervo)
Paróquia Nossa Senhora da Conceição 
Catedral Mãe de Deus 
Capela Senhor Jesus do Bom Fim 
Capela Nossa Senhora de Belém Velho 
Cúria Metropolitana

- Viamão 

Paróquia Nossa Senhora da Conceição (edificação e acervo)

- Santo Amaro do Sul (General Câmara)

Paróquia Santo Amaro (Irmandade Santíssima Trindade)

 

Correspondência do arquiteto Giovanni Battista Giovenale (1920-1929)

Deriva do processo de pesquisa para a elaboração do livro Das pedreiras às torres e carrancas: uma Nova Catedral para Porto Alegre, lançado em agosto de 2021 por ocasião do centenário de lançamento da pedra fundamental da Nova Catedral de Porto Alegre. Localizada em meio ao material consultado para este último livro, a correspondência expedida pelo arquiteto Giovanni Battista Giovenale (1849-1934) ao Mons. João Maria Balem (1887-1978), diretor das obras, auxilia na compreensão dos primórdios do projeto da Catedral.  Originalmente em italiano – e a maior parte manuscrita – as cartas foram transcritas e traduzidas na íntegra, resultando no excepcional material que se coloca à disposição da comunidade. 

“A edição da correspondência de João Maria Balem e Giovanni Battista Giovenale, trabalho prestimoso realizado pela equipe do Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre, recupera este importante recurso didático e de difusão arquivística. A obra, mais do que isso, fornece aos pesquisadores e ao público em geral uma excelente oportunidade de conhecer e compreender como e por quais motivos a Arquidiocese de Porto Alegre resolveu investir tamanhos esforços na construção do templo-monumento.” 

Do texto de apresentação do Prof. Dr. Francisco Alcides Cougo Junior
Departamento de Arquivologia (UFSM)