60º Dia Mundial das Comunicações Sociais inspira reflexão sobre o cuidado com o humano na era digital

08/05/2026

60º Dia Mundial das Comunicações Sociais inspira reflexão sobre o cuidado com o humano na era digital

A preservação do humano diante do avanço da Inteligência Artificial e das tecnologias digitais está no centro da reflexão proposta por Dom Juarez Albino Destro em artigo publicado por ocasião do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Inspirado na mensagem do Papa Leão XIV para a data celebrada pela Igreja, o bispo chama atenção para os riscos de uma comunicação cada vez mais mediada por algoritmos, plataformas digitais e sistemas de IA.

 

No texto, Dom Juarez destaca que o grande desafio atual não é apenas tecnológico, mas humano. Segundo ele, a mensagem do pontífice alerta para a necessidade de proteger aquilo que é mais essencial nas relações: “o nosso rosto e a nossa voz, que são sagrados”.

 

O bispo recorda que a preocupação da Igreja com os meios de comunicação não é recente. Ele relembra que o Concílio Vaticano II já incentivava, desde 1966, a reflexão sobre o papel da comunicação na evangelização e na sociedade. Também cita o alerta feito por São Paulo VI na primeira mensagem para o Dia Mundial das Comunicações: “Quanto maior o poder e a ambivalente eficácia dos Meios de Comunicação Social, tanto mais atento e responsável deve ser o seu uso”.

 

Ao abordar os impactos das plataformas digitais, Dom Juarez explica que a lógica dos algoritmos influencia diretamente a forma como as pessoas enxergam o mundo. Segundo ele, as redes sociais criam ambientes cada vez mais fechados e polarizados, alimentados pelas preferências individuais dos usuários.

 

“O papa afirma que ‘os algoritmos enfraquecem a capacidade de escuta e pensamento crítico, aumentando a polarização social’”, ressalta o bispo.

 

Outro ponto destacado no artigo é o uso crescente da Inteligência Artificial para simular vozes, imagens e comportamentos humanos. Para Dom Juarez, essa prática pode afetar profundamente a autenticidade das relações pessoais e sociais.

 

“Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios”, cita o bispo ao recordar a mensagem do papa.

 

O texto também alerta para os perigos da substituição das relações humanas pela interação excessiva com ferramentas digitais. Dom Juarez observa que, embora a tecnologia possa oferecer facilidades, ela não pode ocupar o espaço do encontro verdadeiro entre as pessoas.

 

“Sem aceitar a alteridade, não pode haver nem relação nem amizade”, destaca.

 

Na reflexão, o bispo ainda chama atenção para os riscos da desinformação e das chamadas “realidades paralelas” produzidas pela IA. Segundo ele, a dificuldade crescente em distinguir o que é verdadeiro do que é manipulado exige responsabilidade e senso crítico, especialmente no campo do jornalismo e da comunicação.

 

“A crise do jornalismo de campo (...) pode favorecer um solo ainda mais fértil para a desinformação”, observa o artigo ao citar o alerta do papa.

 

Como caminho para enfrentar esses desafios, Dom Juarez apresenta os três pilares propostos por Papa Leão XIV: responsabilidade, cooperação e educação. Entre os pontos defendidos estão a transparência no uso da IA, a proteção ao trabalho dos comunicadores e a formação crítica das pessoas para compreender como funcionam os algoritmos e os sistemas digitais.

 

Ao concluir o artigo, o bispo deixa uma provocação aos leitores sobre o compromisso diante desse cenário de transformação digital: “Sentimo-nos responsáveis? Estamos dispostos a cooperar, aprofundar o tema e ajudar na educação?”.

 

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Autor:
Greice Pozzatto

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