Beatbox, fé e vocação: irmãs celebram 31 anos da Copiosa Redenção

12/05/2026

Beatbox, fé e vocação: irmãs celebram 31 anos da Copiosa Redenção

Entre música, dança e testemunhos de fé, duas religiosas conquistaram milhões de visualizações nas redes sociais e se tornaram conhecidas em todo o país. Mas por trás da criatividade e do carisma das irmãs da Congregação Copiosa Redenção existe uma missão que vai além da viralização: evangelizar, acolher e aproximar as pessoas da Igreja.

 

As irmãs estiveram em Porto Alegre participando das comemorações pelos 31 anos da Casa Marta e Maria, missão da Copiosa Redenção na capital gaúcha dedicada especialmente ao acolhimento e recuperação de mulheres em situação de dependência química. A visita reuniu momentos de espiritualidade, convivência e celebração da história da congregação no Rio Grande do Sul.

 

Conhecidas pela forma espontânea de comunicar a fé, as irmãs Marisa e Marizele atraem crianças, jovens e adultos justamente pela simplicidade com que mostram a vida religiosa. Nas redes sociais, os vídeos com músicas, danças e beatbox ultrapassaram os ambientes da Igreja e alcançaram pessoas que, muitas vezes, nunca haviam tido contato próximo com religiosas.

 

Segundo a irmã Marizele, o beatbox surgiu muito antes da internet perceber o talento que ela carregava desde a adolescência.

 

“O beatbox, na verdade, antes de estar dentro da Igreja, esteve dentro da minha vida. A musicalidade sempre fez parte da minha história. Era uma brincadeira de adolescente com meus amigos da escola. Eu nem sabia que aquilo se chamava beatbox”, contou.

 

Ela explica que a técnica passou a fazer parte também da missão da congregação durante os trabalhos desenvolvidos nas comunidades terapêuticas da Copiosa Redenção. Em meio ao processo de recuperação de dependentes químicos, a música, o teatro, a dança e o humor ajudavam a tornar o ambiente mais leve.

 

“A recuperação é pesada. Então, quando a gente levava esse lado lúdico, tudo ficava mais leve. O beatbox entrou assim, junto com a música e a dança, para criar vínculo e proximidade”, afirmou.

 

Anos depois, os vídeos começaram a viralizar nas redes sociais. O que para elas era apenas uma forma natural e alegre de evangelizar passou a chamar atenção de milhões de pessoas.

 

Para a irmã Marisa, um dos efeitos mais importantes da repercussão foi ajudar a diminuir a distância que muitas pessoas imaginavam existir entre religiosos e o povo.

 

“As pessoas perceberam que podem se aproximar. Antes, muitos achavam que a freira era alguém distante. Com a viralização, perceberam que somos humanos, estamos juntos, somos acessíveis”, disse.

 

A repercussão também despertou curiosidade sobre a vida religiosa. Segundo as irmãs, muitos jovens começaram a enxergar o convento de forma diferente.

 

“A gente escuta testemunhos assim: ‘com essa alegria até eu vou para o convento’. As pessoas começaram a entender que a vida religiosa também tem alegria, simplicidade e espontaneidade”, comentou Marizele.

 

Evangelização também nas redes sociais

Durante a Semana da Comunicação da Igreja, as irmãs reforçaram a importância da presença católica no ambiente digital. Para elas, evangelizar nas redes sociais já não é apenas uma possibilidade, mas uma necessidade.

 

“Hoje as redes sociais fazem parte da nossa vida. É muito difícil encontrar alguém que não esteja conectado. Se a Igreja não chega nesse público, será um público que não será evangelizado”, afirmou Marizele.

 

Ela destacou ainda o trabalho realizado pela Pastoral da Comunicação e por evangelizadores que utilizam a internet para transmitir mensagens de fé por meio da música, pregação, formação e catequese.

 

Histórias marcadas pela vocação

Além da repercussão nas redes, as irmãs também compartilharam histórias pessoais marcadas por processos profundos de discernimento vocacional.

 

A irmã Marisa contou que percebeu os primeiros sinais da vocação ainda na infância. Nascida com problemas de saúde, ela e a irmã foram levadas pelos pais para receber uma bênção sacerdotal. Na ocasião, o padre teria dito à família que Deus havia sido generoso com eles e que também deveriam ser generosos com Deus. “Ali a semente foi plantada”, recordou.

 

A decisão definitiva pela vida religiosa, porém, veio apenas aos 23 anos, depois de um longo processo espiritual.

 

“Os jovens às vezes esperam Deus descer do céu e dizer ‘vai para o convento’. Mas Deus usa pessoas, situações e experiências para mostrar a vocação”, afirmou.

 

Já a irmã Marizele revela que nunca imaginou tornar-se religiosa. O sonho dela era ser médica veterinária, e chegou a concluir a formação. “Desde criança eu dizia que queria ser veterinária. Me formei, mas durante a faculdade vivi uma experiência muito forte com Deus”, contou.

 

O momento decisivo aconteceu durante o tratamento de câncer da mãe. Após os médicos afirmarem que ela teria poucos meses de vida, Marizele viveu um profundo momento de oração. “Pela primeira vez eu falei para Deus de forma espontânea: ‘cura minha mãe e serei sua’. Depois do tratamento, minha mãe foi curada. Foi ali que percebi que Deus caminhava conosco.”

 

A partir dessa experiência, a jovem começou a se envolver cada vez mais com a fé até perceber que seu coração já estava mais voltado para Deus do que para a própria profissão. “Quando terminei a faculdade, eu já não me reconhecia mais. Nos estágios, eu passava mais tempo falando de Deus para as pessoas do que fazendo os procedimentos veterinários”, relembrou.

 

Depois de três anos de discernimento, ingressou na Copiosa Redenção aos 25 anos. Neste ano, completa 22 anos de vida religiosa. “Não existe nada melhor do que encontrar o seu lugar no mundo”, declarou.

 

Três décadas de acolhimento e vidas restauradas

A visita das irmãs aconteceu dentro das celebrações pelos 31 anos da Casa Marta e Maria, em Porto Alegre. A missão é referência no acolhimento e recuperação de mulheres e se tornou um dos importantes braços da atuação da Copiosa Redenção no estado.

 

Para a irmã Celeste, da Copiosa Redenção da Casa Marta e Maria, celebrar a data é reconhecer a fidelidade de Deus ao longo da caminhada da congregação. “A primeira coisa que esses 31 anos representam é a fidelidade de Deus na vida da Copiosa Redenção e da Casa Marta e Maria. É um grande motivo de festa celebrar tantas irmãs que passaram por aqui e deram a vida por essa missão”, afirmou.

 

Ela destacou ainda as histórias transformadas ao longo dessas três décadas. “A casa deu frutos. Tivemos a oportunidade de acolher muitas pessoas e espalhar o carisma da Copiosa Redenção através dessas vidas restauradas.”

 

Durante a visita, as irmãs também fizeram um apelo à comunidade gaúcha para ajudar na continuidade da obra. Segundo elas, a congregação desenvolve um projeto chamado “Sonhando na Garagem”, que busca construir uma casa para as religiosas da missão. “Hoje, o espaço onde guardamos os carros é o local onde sonhamos construir a casa das irmãs. Nós nos doamos integralmente à missão, mas também precisamos de ajuda para continuar esse trabalho”, explicou Marizele.

Ao final, a mensagem deixada foi de perseverança, esperança e confiança na missão. “São 31 anos de história e vidas restauradas. Que Deus continue sustentando as vocações, as irmãs e todas as pessoas que fazem parte dessa obra”, concluiu a irmã Marisa.

 



Autor:
Greice Pozzatto

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