Bispos da Arquidiocese avaliam a 58ª Assembleia Geral da CNBB

Realizada integralmente pela internet pela primeira vez na história, conectando remotamente mais de 400 pessoas, a 58ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil (AG CNBB) teve cinco dias de trabalho e foi concluída nesta sexta-feira (16). Entre os participantes, estiveram 309 bispos com direito a voto (cardeais, arcebispos, bispos diocesanos, prelados, auxiliares, coadjutores e administradores diocesanos) e alguns bispos eméritos, que têm participação facultativa. 

A edição 58 da Assembleia ficou marcada como a primeira com a presença do novo núncio apostólico no Brasil, dom Giambattista Diquattro. Outro destaque foi o momento de espiritualidade dos bispos, conduzido pelo arcebispo de Boston, nos Estados Unidos, cardeal Seán Patrick O’Malley. Merece registro especial também a aprovação da criação do Regional Leste 3 (composta pela Arquidiocese de Vitória e as dioceses de Cachoeiro do Itapemirim, Colatina e São Mateus) e o caminho percorrido para a formulação do “Novo Estatuto da CNBB”. 

Como tema central, a Assembleia discutiu o primeiro "pilar" proposto nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2019-2023): a Palavra de Deus.

"Eu creio que se quisermos renovar nossas comunidades e todas as nossas iniciativas, nós precisaremos resgatar a importância e o lugar da Palavra na vida de cada fiel", afirmou Dom Jaime Spengler. "Nesse sentido, depois que este tema central chegar às nossas comunidades por meio do documento de estudos, ajudará, sim, a desenvolver este trabalho”. Durante a Assembleia, o episcopado brasileiro aprovou a publicação da última versão do texto (com a incorporação das sugestões) na série de “Estudos da CNBB”.

Acompanhe, abaixo, os aspectos da 58ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil (AG CNBB) destacados por Dom Jaime Spengler e os bispos auxiliares da Arquidiocese de Porto Alegre, Dom Adilson Pedro Busin, Dom Aparecido Donizeti de Souza, Dom Darley José Kummer e Dom Leomar Antonio Brustolin.


Mobilização técnica

Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano de Porto Alegre e vice-presidente da Conferência, reconheceu que "o novo coronavírus nos obrigou a uma aprendizagem também no uso das plataformas digitais". 

"Havia, sim, uma expectativa, ou uma preocupação: como seria realizar uma Assembleia Geral com cerca de 400 pessoas? Como seria acompanhar a participação de tantos? Como realizar os encaminhamentos necessários durante a Assembleia? Verdade é que no desenvolvimento dos trabalhos as preocupações foram se dissolvendo", valorizou Dom Jaime.

Para viabilizar e dar apoio a um evento digital tão complexo, uma força-tarefa foi montada com colaboradores das diversas áreas técnicas. A equipe de Tecnologia da Informação, por exemplo, trabalhou por cerca de um ano nas questões que envolviam o evento. “Adquirimos um gerador para evitar queda de energia, aumentamos os canais de internet, porque se um caísse, tínhamos outro de suporte e adquirimos e implantamos o uso da plataforma de streaming para todos os bispos”, destaca o coordenador da TI da CNBB, Rosberg Flores.

Além de colaboradores de regionais e dioceses da Igreja no Brasil, a 58º AG contou com profissionais das áreas técnicas da Secretaria, Comunicação e assessores das Comissões Episcopais Pastorais da sede da entidade em Brasília (DF). Quem esteve junto de forma presencial obedeceu rigorosamente as orientações sanitárias para prevenção do novo coronavírus. 


Legado e elogios

De uma Assembleia 100% digital, ficou o legado do quanto a tecnologia pode favorecer a dinâmica pastoral da Igreja, mesmo que no futuro esta não seja uma contingência sanitária necessária. 

"Creio que estamos vendo ser possível tratar vários temas, questões, assuntos sem a presencialidade tradicional. Após essa Assembleia, descortina-se uma serie de novas indicações viáveis para promover a obra da evangelização no nosso imenso Brasil", sinalizou Dom Jaime.

Para Dom Donizeti, além de ter sido uma alternativa necessária no contexto de pandemia, o encontro on-line foi satisfatório e de grande proveito. 

"A presidência da CNBB está de parabéns pela organização e forma de conduzir os trabalhos, favorecendo e possibilitando a participação de todos nós diversos assuntos tratados", cumprimenta Dom Donizeti.


Tempo de cuidar

Lançada em abril do ano passado para atender as pessoas em situação de pobreza agravada pela pandemia, a Ação Solidária Emergencial “É tempo de cuidar” apresentou no plenário da 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) números significativos em seu primeiro ano de existência.

"Entre os tantos compromissos da Igreja estão a caridade, a solidariedade e o compromisso com os mais fragilizados entre os nossos irmãos. A campanha "É tempo de cuidar" é um grande mutirão para a coleta e partilha de doações em todo o Brasil", destacou Dom Adilson. "Somamo-nos a tantas entidades e órgãos civis e governamentais que, neste momento crítico, buscam amenizar a fome de muitos irmãos. É tempo de cuidar! Juntos na missão de amor. Gratidão a todos os que estão comprometidos em cuidar da vida." 

Com um alcance de mais de 1,1 milhão de pessoas beneficiadas, foram arrecadados em recursos financeiros mais de R$ 4,5 milhões e distribuídos cerca de 5,9 milhões de quilos de alimentos. O balanço aponta ainda que as populações em situação de vulnerabilidade receberam 713 mil refeições prontas, 675 mil peças de roupas e calçados, além de 405 mil kits de higiene pessoal e 409 mil equipamentos de proteção individual. A organização ressaltou que os números podem ser ainda maiores, já que nem toda caridade foi oficialmente registrada.


Educação na Campanha da Fraternidade

Outro tema apresentado na Assembleia aos mais de 300 bispos que acompanharam o evento à distância foi a Campanha da Fraternidade 2022, que terá como tema “Fraternidade e Educação” e como lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31, 26). O objetivo central será promover o diálogo sobre a realidade educativa no Brasil, à luz da fé cristã, propondo caminhos em favor do humanismo integral e solidário.

“Educar é guiar os outros seres humanos de modo que eles se tornem quem eles devem ser. Isso não se faz de forma isolada: precisa da família, da escola, da Igreja e da sociedade", ponderou Dom Leomar. "Em nosso objetivo trazemos humanismo integral e solidário, pensando no humano todo e para todo o ser humano, e cada um contribui com um aspecto”.

A seguir, os sete objetivos específicos da próxima Campanha da Fraternidade:

  • Analisar o contexto da educação, bem como os desafios potencializados pela pandemia; . Verificar o impacto das políticas públicas na educação; 
  • Identificar valores e referências da Palavra de Deus e da Tradição Cristã em vista de uma educação humanizadora
  • Refletir sobre o papel da família, da comunidade de fé e da sociedade no processo educativo com a colaboração das instituições de ensino;
  • Incentivar propostas educativas que, enraizadas no Evangelho, promovam a dignidade humana, a experiência do transcendente, a cultura do encontro e o cuidado com a Casa Comum;
  • Estimular a organização do serviço pastoral junto às escolas, universidades, centros comunitários e outros espaços educativos;
  • E promover uma educação comprometida com novas formas de economia, de política e de progresso verdadeiramente a serviço da vida humana, em especial, dos mais pobres.


Um grande sinal de união

A Assembleia do episcopado brasileiro é realizada anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O encontro é sinal e instrumento de colegialidade, do afeto episcopal e da busca de comunhão entre os bispos do país, especialmente no âmbito da sua ação evangelizadora.

"Como membro desta Assembleia, senti-me desafiado e convocado a viver o ministério episcopal animando os seguintes aspectos: a fraternidade, na vivência afetiva e efetiva da natureza missionária; a colegialidade, enquanto atitudes em favor da unidade na diversidade; e o chamado à sinodalidade, no caminhar juntos, agindo com corresponsabilidade no pensar as ações global e localmente, sentindo as alegrias, sofrimentos e esperanças junto ao povo de Deus", refletiu Dom Darley. "Que o nosso testemunho de pastores e ovelhas seja de fiéis e abnegados cristãos, que se dispõem generosamente a dar de sua vida sagrada em favor de muitos."


Um pouco de história

A primeira AG foi realizada de 17 a 20 de agosto de 1953, em Belém (PA), e desde lá somam-se 57 encontros. Destes, 33 AGs tiverem como sede o mosteiro de Vila Kostka, em Itaici (SP), outros aconteceram em Roma, na Itália, e em seis capitais brasileiras, além do Distrito Federal. De 2011 a 2019, a AG foi realizada em Aparecida (SP). Em 2020, o evento foi cancelado em função da pandemia.
 



Autor:
Juliano Rigatti

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