Cultivemos a comunhão e a unidade! Dom Jaime Cardeal Spengler destaca desafios e caminhos para a Igreja

29/04/2025

Cultivemos a comunhão e a unidade! Dom Jaime Cardeal Spengler destaca desafios e caminhos para a Igreja

Em Roma, fé e discernimento marcam o início de um novo tempo para a Igreja. Entre os cardeais reunidos para o conclave, que terá início no dia 7 de maio, está Dom Jaime Cardeal Spengler, Arcebispo de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Celam. De Roma, ele compartilha suas impressões sobre este momento histórico.

Após participar dos emocionantes ritos de despedida do Papa Francisco, Dom Jaime relata o clima de oração e discernimento entre os cardeais e reflete sobre o legado do pontífice argentino, marcado — em sua visão — pela simplicidade. Na entrevista, ele também ressalta a importância de fontes confiáveis diante da avalanche de informações e deixa orientações pastorais às comunidades eclesiais do Brasil, que aguardam as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora.

Confira a entrevista na íntegra:

 

Ascom: Como foi participar dos momentos de despedida do Papa Francisco?

Cardeal Spengler: Merece destaque especial a participação do povo. Ver a Praça totalmente tomada pela multidão foi um sinal claro de quanto ele era admirado e amado.

 

Ascom: Se pudéssemos resumir os 12 anos de pontificado de Francisco em uma palavra, qual seria, em sua opinião?

Cardeal Spengler: Simplicidade!

 

Ascom: Entre os diversos textos e mensagens deixados por Francisco, talvez a Exortação Apostólica C’est la Confiance, sobre a confiança no amor misericordioso de Deus, publicada por ocasião do 150º aniversário de nascimento de Santa Teresa do Menino Jesus e da Santa Face (15/10/2023), seja uma das menos comentadas, mas bastante representativa neste momento de expectativa pela escolha de um novo Papa. No número 24, por exemplo, lemos que a confiança plena nos liberta de “cálculos obsessivos, da preocupação constante com o futuro, dos medos que tiram a paz…” E a “poesia” descrita no número 52 parece muito apropriada ao contexto atual: “Num tempo que nos convida a fechar-nos em nossos próprios interesses, Teresinha mostra a beleza de fazer da vida um dom (…) Num momento de complexidade, Teresinha pode ajudar-nos a redescobrir a simplicidade.” Como está a preparação dos cardeais para o conclave?

Cardeal Spengler: Há um ambiente de oração e diálogo muito interessante. Pode-se dizer que, até o momento, percebe-se o empenho de muitos em encontrar alguém que esteja à altura dos desafios do tempo presente.

 

Ascom: Os meios de comunicação começam a abordar temas ligados ao catolicismo, por motivos óbvios. Análises de toda ordem, dados estatísticos, projeções… Redes sociais resgatando textos, vídeos e frases de Francisco. Em tempos de informações aceleradas, todo cuidado é pouco. Alguma recomendação nesse sentido?

Cardeal Spengler: Em primeiro lugar, é essencial cultivar um espírito de oração; pedir ao Espírito Santo que ilumine mentes e corações daqueles que têm a missão de escolher o novo Bispo de Roma. Em segundo lugar, não se deixar levar por comentários desautorizados; é preciso buscar sempre fontes fidedignas.

 

Ascom: No Brasil, a Assembleia da CNBB, que começaria em 29 de abril, foi transferida para 2026. Na pauta, entre diversos assuntos, estava a definição das Diretrizes para a Ação Evangelizadora dos próximos anos. O que o senhor sugere às comunidades eclesiais enquanto as novas diretrizes não são definidas? Seria oportuno utilizar o Documento Final do Sínodo sobre a Igreja, comunhão, participação e missão?

Cardeal Spengler: O Documento Final do último Sínodo traz uma série de indicações valiosas para promover a comunhão, a participação e a missão na vida ordinária de nossas comunidades. Por isso, sua leitura e estudo — tanto individual quanto comunitário — pode ser de grande auxílio para que, mais adiante, possamos corresponder ainda melhor ao que as novas Diretrizes Gerais indicarão para toda a Igreja no Brasil.

 

Ascom: Uma mensagem final ao seu “rebanho” da Arquidiocese de Porto Alegre, por favor.

Cardeal Spengler: Participar da vida da comunidade de fé é, para todo católico, um direito e um dever. Seguir as orientações pastorais da Arquidiocese é expressão de compromisso com a comunhão eclesial. Estar atentos aos desafios do tempo presente é sinal de corresponsabilidade na missão da Igreja: evangelizar!

Cultivemos a comunhão e a unidade!



Autor:
Greice Pozzatto

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