16/04/2026
Desde a quarta-feira, 15 de abril, o episcopado brasileiro está reunido para a 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, um dos momentos mais importantes da caminhada pastoral da Igreja no país. O encontro reúne bispos de todas as regiões, que refletem, rezam e debatem temas centrais para a evangelização nos próximos anos.
Na abertura dos trabalhos, o arcebispo de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Jaime Spengler, apresentou um panorama da assembleia e destacou a expectativa em torno da aprovação das novas diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil.
Segundo ele, o tema central do encontro envolve um amplo processo de construção coletiva. “Como tema central da Assembleia nós temos a discussão, debate, o diálogo e, se tudo correr bem, a aprovação das diretrizes da ação evangelizadora da Igreja no Brasil para os próximos anos”, afirmou. Dom Jaime ressaltou ainda que o texto é fruto de um longo caminho de escuta e մասնակցação: “As diretrizes são expressão de um trabalho imenso que foi realizado ao longo desses últimos dois, três anos, envolvendo todas as forças da Igreja no Brasil”.
Outro ponto de destaque é a atualização do documento sobre a juventude. “Nós temos um texto, eu creio, muito rico, e o segundo texto que vai nos ocupar de uma forma toda particular durante esses dias é a revisão do documento sobre a juventude no Brasil”, explicou o cardeal, ao mencionar as transformações culturais, científicas e tecnológicas que impactam a sociedade.
Clima de comunhão e espiritualidade
A assembleia também é marcada por um forte clima espiritual e de comunhão. O bispo auxiliar de Porto Alegre, Dom Darley Kummer, ressaltou o apelo à oração pela paz, em sintonia com a mensagem enviada pelo Papa. “Recebemos várias mensagens e a que nos marca é a mensagem do Papa pedindo para que rezássemos muito pela paz”, destacou. Ele acrescentou que os bispos permanecem atentos aos desafios do mundo atual: “Estamos aqui também sintonizados e preocupados com várias situações que estão acontecendo e, por isso, queremos fortalecer esse vínculo de unidade, de comunhão e de paz em todo o nosso mundo”.
A dimensão espiritual do encontro também foi enfatizada por Dom Bertilo Morsch, que destacou o retiro realizado pelos bispos como parte da programação. “Estamos em retiro desde ontem à tarde, olhando para essa realidade do seguimento do Ressuscitado”, afirmou. Ele recordou que a missão evangelizadora nasce da conversão e da abertura ao Espírito Santo: “Para falar esta verdade, tem que deixar que esse Espírito realmente esteja presente em nós”.
Dom Leomar destaca início dos trabalhos, retiro espiritual e apelos à sinodalidade
O arcebispo de Santa Maria e presidente do Regional Sul 3 da CNBB, Dom Leomar Brustolin, destacou que a assembleia teve início com um intenso momento de oração, seguido da escuta do relatório da presidência sobre as atividades do biênio 2023-2025, já que, em 2025, não houve assembleia em razão do falecimento do Papa Francisco.
Segundo ele, o encontro tem sido marcado por um forte espírito de comunhão. “Foi muito interessante esse momento de sinodalidade, de convivência, de chegada e de acolhida”, afirmou.
Dom Leomar também ressaltou o retiro espiritual que integra a programação, conduzido por dom Armando Bucciol, bispo emérito de Livramento de Nossa Senhora (BA) e diretor espiritual do retiro. Ele explicou que o patriarca de Jerusalém havia sido convidado para pregar o retiro, mas não pôde participar devido à grave situação no Oriente Médio. Ainda assim, enviou uma mensagem aos bispos, destacando os desafios vividos na região.
O presidente do Regional Sul 3 também mencionou a mensagem encaminhada pelo Santo Padre, que incentiva os bispos a permanecerem firmes no caminho da sinodalidade. Conforme Dom Leomar, após o período de retiro, a assembleia seguirá com os trabalhos voltados à evangelização da Igreja no Brasil, em comunhão com todo o episcopado.