Dom Jaime propõe reflexão ética sobre os rumos da inteligência artificial

12/08/2025

Dom Jaime propõe reflexão ética sobre os rumos da inteligência artificial

Em tempos de avanços rápidos na tecnologia, Dom Jaime alerta para a necessidade de critérios éticos no uso da inteligência artificial. Em recente reflexão, o arcebispo destacou que, embora a IA reflita e amplifique a inteligência humana, ela também pode distorcê-la quando mal orientada.

 

Dom Jaime lembrou que a IA é fruto da criatividade humana e, apesar de imitar certas capacidades cognitivas, não fundamenta, não sente — apenas calcula. “Ela não substitui a inteligência humana”, afirmou. Para ele, é fundamental compreender criticamente o papel da IA na sociedade, especialmente no que diz respeito ao uso de dados, ao poder concentrado em grandes corporações e aos riscos que isso pode representar para a dignidade humana.

 

O arcebispo também ressaltou que as tecnologias não devem ser vistas apenas como instrumentos de lucro, mas como bens comuns, cujo uso exige responsabilidade coletiva. “A verdadeira evolução tecnológica precisa estar a serviço da pessoa humana, da solidariedade, da justiça social e da construção de um mundo mais fraterno”, concluiu.

 

O tema tem ganhado destaque em diversos setores, à medida que soluções baseadas em IA passam a fazer parte do cotidiano, desde serviços públicos até decisões automatizadas em empresas.

 

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O novo que nos desafia!

 

A Inteligência Artificial (IA) é um produto das mãos humanas, carregando a marca da arte e da imaginação humana. Um dos objetivos dessa tecnologia é imitar a inteligência humana que a projetou. Sua influência é experimentada em uma ampla gama de setores, incluindo as relações interpessoais, a educação, o trabalho, a arte, a saúde, o direito, a guerra e as relações internacionais. Ela não fundamenta, mas calcula! A ela não se deve atribuir um valor desproporcional, pois o valor de todas as coisas criadas não pode ser reduzido a algorítmicos.

 

Sistemas algorítmicos e plataformas digitais são estruturas de poder e, como tais, precisam ser analisadas criticamente, sob as lentes da justiça distributiva. A coleta e exploração de dados é assimétrica, com grandes corporações centralizando capacidades analíticas e computacionais. Estas operam através de uma lógica de extração comportamental que converte a experiência humana em dados para alimentar mercados preditivos. Os dados coletados possuem implicações políticas, econômicas e sociais, fornecidos gratuitamente por todos os cidadãos.

 

As conquistas tecnológicas – e não existe tecnologia perfeita! – são um bem comum a ser governado pela coletividade, e não como propriedade privada a ser maximizada para lucro. Por isso, quanto mais crescer o poder do ser humano, tanto mais se estende sua responsabilidade. Encontrar o equilíbrio entre inovação, segurança e bem comum pressupõe a observância e a proteção dos direitos humanos, sensibilidade ética, procedimentos de avaliação e mitigação de riscos. Como dizia G. Bernanos “o perigo não está na multiplicação das máquinas, mas no número crescente de pessoas habituadas, desde a infância, a desejar apenas aquilo que as máquinas podem oferecer”.

 

Como expressão da capacidade humana, o uso da IA deve contribuir para a promoção do bem comum, o cuidado da ‘Casa Comum’, o avanço na busca da verdade, o suporte ao desenvolvimento humano integral, o incentivo à solidariedade e à fraternidade humana, conduzindo a humanidade ao seu objetivo último: a felicidade plena.

 

 

Dom Jaime Cardeal Spengler

Arcebispo Metropolitano

Presidente da CNBB e do CELAM

 

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Autor:
Greice Pozzatto

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