03/05/2026
Uma noite de oração, marcada pela fé e pela esperança, o 2º Ave Maria da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Canoas, abriu o mês mariano convidando a comunidade a renovar sua confiança e esperança. Em sua segunda edição, o encontro reuniu fiéis em um momento de espiritualidade, acolhida e unidade, tendo como centro a oração do terço e a devoção à Virgem Maria.
A iniciativa nasceu em um contexto de dor. No primeiro ano das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, a comunidade buscava formas de se reerguer também espiritualmente. Foi nesse cenário, explica o casal Felipe e Mileni Miranda, que surgiu a proposta do encontro, como um gesto concreto de consolo e fortalecimento da fé. Segundo eles, o momento era de reconstrução não apenas material, mas também interior. “O Ave Maria surgiu, infelizmente, devido às enchentes. Foi uma forma que nós achamos de trazer a comunidade novamente para o colo de Nossa Senhora e, claro, para Jesus, para tentar resgatar um pouquinho da fé de todos que estavam sentindo tanto aquele momento”, afirmam.
A resposta da comunidade fez com que a iniciativa ganhasse continuidade. Nesta segunda edição, o encontro já demonstra sinais de consolidação. “Já estamos, graças a Deus, na segunda edição. A ideia deu muito certo e nossos planos, conforme a vontade de Deus, são de que possa frutificar e continuar cada vez mais, sempre no início de maio”, destaca Felipe. Mesmo diante do esforço exigido pela organização, o sentimento é de gratidão. “O objetivo é sempre trazer todos para Nossa Senhora, para que, através dela, possamos chegar a Jesus”, reforça Mileni.
Um povo Mariano
Para o padre Charles Kermaunar, a forte participação dos fiéis encontra explicação na própria identidade do povo católico. Ele destaca que a devoção mariana está profundamente enraizada na vivência das comunidades. “O nosso povo é muito mariano. Em todos os lugares onde vemos uma comunidade católica, sempre há uma expressão mariana. Nossa Senhora toca muito o nosso povo”, observa.
Segundo o sacerdote, criar espaços como o Ave Maria é essencial para favorecer o encontro com Deus. “Ter um espaço de devoção mariana é permitir que as pessoas se encontrem com o amor de Maria e, por conseguinte, com Jesus”, explica. Ele também recorda o sentido mais profundo dessa devoção, à luz das aparições de Fátima. “Toda a devoção mariana tem por objetivo esse amor a Jesus e também uma reparação pelos pecados do mundo inteiro.”
Abrindo o mês Mariano
Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, padre João Carlos Andrade da Silveira (Pe. Joca) acolheu os fiéis e destacou o significado do encontro para a comunidade local. Para ele, o Ave Maria cumpre um papel importante ao abrir o mês dedicado à padroeira. “Para nós, que somos uma paróquia de Nossa Senhora de Fátima, este mês é muito especial. O evento vem justamente para iniciar esse tempo de uma forma mais espiritualizada”, afirma.
Ele também relembra o contexto em que tudo começou, diretamente ligado às enchentes que atingiram a região. “Não foi criado para comemorar, mas para buscar forças. É um evento para dar mais força ao povo, para que se sinta mais fortalecido e consolado”, explica.
Neste ano, o encontro acontece também próximo à marca de dois anos da tragédia, o que reforça ainda mais seu significado. “O Ave Maria nasceu para ser uma força para o povo de Deus. Porque Nossa Senhora nunca abandona o seu povo”, destaca o pároco.
Acolhida e devoção
O espírito do encontro também se revela nos gestos simples de quem participa e ajuda a construir o momento. Entre os voluntários que acolhiam os fiéis na chegada, a experiência se transforma em testemunho de fé vivida no cotidiano. “Maria sempre me atende quando eu preciso”, afirmou Glaci Sarmento, sintetizando, em poucas palavras, a confiança que move a devoção de tantos.
É com essa confiança que a esperança de toda uma comunidade segue se fortalecendo.