Peixe na Sexta-Feira Santa expressa fé, tradição e sentido de penitência

02/04/2026

Peixe na Sexta-Feira Santa expressa fé, tradição e sentido de penitência

Mais do que uma tradição à mesa, o consumo de peixe na Sexta-Feira Santa carrega um profundo significado espiritual para os católicos. Presente há gerações nas famílias brasileiras, esse costume remonta às origens da Igreja e está ligado ao sentido de penitência e recolhimento próprio do dia. Em entrevista, Dom Jaime Cardeal Spengler explica que a prática vai além do aspecto cultural e convida os fiéis a viverem com mais consciência o mistério celebrado.

 

Segundo o arcebispo, não existe uma norma que obrigue diretamente o consumo de peixe neste dia. “Trata-se de uma tradição muito antiga da Igreja”, explicou. Ele recorda que, nos primeiros séculos do cristianismo, o peixe possuía um forte valor simbólico. A palavra “peixe”, em grego (ichthys), era utilizada como acrônimo para a expressão “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”, e servia também como sinal de identificação entre os cristãos.

 

Além do simbolismo, o cardeal destacou o sentido teológico da prática. A Sexta-Feira Santa recorda a entrega de Jesus Cristo na cruz, quando, segundo a fé cristã, Ele ofereceu sua própria carne pela salvação da humanidade. Por isso, consolidou-se na tradição da Igreja o costume de evitar o consumo de carne vermelha nesse dia, como forma de respeito e reflexão. “É por isso que se mantém a tradição da abstinência de carne”, afirmou.

 

No Brasil, essa prática acabou se incorporando à cultura popular, tornando-se um costume amplamente difundido entre as famílias. Ainda assim, Dom Jaime ressalta que o verdadeiro sentido está na vivência da fé. “É a partir da experiência da fé que podemos compreender melhor o porquê dessa prática”, destacou.

 

A Igreja também orienta os fiéis à vivência do jejum e da abstinência na Sexta-Feira Santa.

 

Outro aspecto lembrado pelo cardeal é o caráter próprio da celebração neste dia. Diferente de outras datas, a Sexta-Feira Santa não conta com a celebração da Missa. Em seu lugar, os fiéis participam da Celebração da Paixão do Senhor, tradicionalmente realizada às 15h, horário que remete à morte de Jesus, conforme os Evangelhos. A celebração inclui a Liturgia da Palavra, a oração universal e a comunhão com hóstias consagradas na Quinta-Feira Santa.

 

Assim, reforça ele, mais do que uma escolha alimentar, a tradição do consumo de peixe na Sexta-Feira Santa é um convite à reflexão, à oração e à vivência mais profunda do mistério central da fé cristã.

 

 



Autor:
Greice Pozzatto

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