Esperança e desafios para 2021

O ano de 2021 traz esperanças, afinal, uma vacina para fazer frente ao novo coronavírus deve chegar em breve; traz também desafios, pois a crise econômica que estamos vivendo, consequência da crise sanitária, produz angústia e dor.

Na verdade, a crise econômica atual é desdobramento da crise de 2008, a qual abriu definitivamente um período de mudança de época, com o sistema capitalista apresentando fortes sinais do seu esgotamento: crise ambiental – mudanças climáticas e aquecimento global; crises econômicas prolongadas e extrema financeirização da dinâmica econômica e da riqueza; mudanças profundas nos processos produtivos (revolução técnico-científica) e seus impactos na organização do mercado de trabalho, na geopolítica mundial, principalmente com a reconfiguração de papéis entre as economias chinesa, americana e da União Europeia. Estamos presenciando um desmonte dos pactos e instituições construídos após a segunda grande guerra e um recrudescimento da desigualdade social, que se alastra em diversos cantos do planeta e se reflete em precariedade das condições de trabalho, fome, doenças, guerras e migrações forçadas dos pobres da terra.

Junto com a crise econômica, social e ambiental/sanitária, o mundo conheceu também uma crise política composta de uma profunda falta de referências globais em termos de ideias e programas para superação dos desafios em que a humanidade se encontra, como também, uma onda de crescimento de correntes políticas conservadoras e autoritárias, que preocupa. Nessa crise de modelos, o Papa Francisco tem sido uma fundamental voz na resistência aos retrocessos nos direitos humanos e ambientais, como também fonte de inspiração humanística, quando vocaliza os principais problemas do planeta e indica caminhos para sua superação.

Precisamos nos empenhar para buscar saídas para a construção de um novo mundo. Urge avaliar criteriosamente os sinais produzidos pela economia neoliberal e dar a suficiente atenção às tendências de setores da atividade política que querem calar os diferentes segmentos sociais e enfraquecer a democracia.

Construir programas comuns e construir frentes políticas sólidas se torna um imperativo para todas as pessoas de boa vontade e dos setores da sociedade compromissados com o bem comum, a paz e a justiça social.



Autor:
Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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