Maria

18/05/2022

Maria de Nazaré, a mulher invocada com inúmeros títulos! Culturas diversas, povos distintos a ela se dirigem, a ela se referem, sob distintas invocações. Contudo, não existe uma biografia de Maria de Nazaré. O acesso a Maria da história nos é vedado. O que se tem sobre ela está sempre associado à teologia, ou seja, acontecimento histórico ligado a uma interpretação da fé.

 

O que se pode constatar é que ela entra na história por causa da história de Jesus. Caso contrário nada se saberia dela. A partir dos parcos elementos históricos, pode-se afirmar que nela não se encontra nenhuma idealização. Provavelmente viveu na Galileia; era uma mulher do povo simples e pobre que participava em tudo da situação sociopolítico-religiosa de seu povo.

 

Tendo como referência os textos bíblicos podem-se colher algumas características desta figura feminina: ela era virgem-noiva, pobre, era mãe, cheia de fé, mulher forte. A tradição que se construiu em torno desta mulher traz a marca de uma “fé marial”. O conteúdo desta fé fala menos de Maria do que de Cristo e seu Espírito. É em função de Cristo que o Eterno nela fez grandes coisas.

 

Maria de Nazaré jamais é apresentada em si mesma, mas sempre a serviço de um projeto maior, a serviço dos demais. Sua presença é marcada mais por silêncios do que por palavras. Nela o humano se faz presente de forma plena, completa. Ela não é apenas a realização consumada da mulher, mas de todo o ser humano.

 

Em Maria de Nazaré é possível colher os frutos da ação de Deus, isto é, o que pode acontecer com a pessoa marcada pela fé, quando se deixa conduzir completamente pelo Espírito de Deus. Ela se torna esplendor do próprio Deus.  

 

Durante o mês de maio a comunidade de fé católica celebra de forma mais intensa a memória da mãe de Jesus. Em celebrando Maria de Nazaré os batizados são assim recordados da própria vocação: ser santos e santas, isto é, empenhar-se por viver plenamente a dinâmica da fé. Ela ensina o ser humano de todos os tempos como acolher e viver o projeto de Deus nos muitos encontros do cotidiano que caracterizam a existência humana.

 



Autor:
Dom Jaime Spengler

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