O Instituto do Cérebro

12/11/2020

Na última segunda-feira (9) foram inauguradas as obras de ampliação do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer). O Instituto é fruto da determinação, coragem e ousadia de um grupo de pesquisa em neurociências do Instituto de Pesquisas Biomédicas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Hoje, participam desta iniciativa neurocientistas de renome mundial. ​Os trabalhos desenvolvidos pelo InsCer cooperam para a compreensão, por exemplo, de várias patologias que marcam a condição humana; ao mesmo tempo desenvolve pesquisas tendo em vista tratamento e, oxalá, superação das mesmas. ​Reconhecer o trabalho do InsCer é oportunidade para recordar a tarefa do homem de ciência. Como cientista, o ser humano é convocado a conhecer tudo aquilo que os olhos da carne permitem ver. No seu empenho, ele está sempre se confrontando com duas perspectivas que representam a força propulsora da própria possibilidade de avançar nas suas investigações: o dogmatismo e o ceticismo. É justamente da tensão constante entre tais perspectivas que a verdade pode vir à evidência. O ceticismo representa a convicção de que é impossível alcançar o conhecimento de algo. O dogmatismo, por outro lado, tende a crer que a verdade científica seja toda a verdade. Os dois excessos, que ameaçam um equilibrado avanço do trabalho científico, somente podem ser evitados, através daquela decisão que Pascal denomina submissão da razão. O que se busca através desta exigência é evitar os excessos que estão sempre à espreita: “excluir a razão, só admitir a razão” (Fr. 253). ​A ciência não pode querer ser o fundamento dela mesma, pois na base do seu proceder está a razão, e esta é frágil. Recordar a fragilidade da razão humana, implica reconhecer a transitoriedade das conquistas científicas. Elas são valiosas, mas precárias, afinal existem “razões que a razão mesma desconhece”. Ter presente tal princípio permite não transformar o trabalho na razão em ideologia. ​O cientista empenha a racionalidade para conhecer sempre mais e melhor a realidade nas suas diversas expressões. Ao mesmo tempo, desenvolve uma crítica da própria razão, como possibilidade para um desenvolvimento científico vigoroso e autêntico. Este modo de proceder o impele a avançar sempre mais. Possa o InsCer, no desenvolvimento de seus objetivos originários, cooperar para, sempre mais e melhor, tornar conhecido o cérebro humano, sua complexidade, possibilidades e limites.


Autor:
Por Dom Jaime Spengler, arcebispo metropolitano e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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