08/05/2026
No dia 3 de maio, o Rio Grande do Sul celebrou os 400 anos da fundação da primeira redução jesuítico-guarani em território gaúcho, marco histórico que deu origem a uma das mais significativas experiências de evangelização, organização social e encontro cultural da América Latina. A reflexão foi destacada em artigo de Dom Jaime Cardeal Spengler, publicado por ocasião da data comemorativa.
No texto, Dom Jaime recorda que a criação da redução de São Nicolau, em 1626, marcou o início de um modelo de convivência construído a partir da união entre os missionários jesuítas e o povo guarani. Segundo ele, desse encontro nasceu uma experiência singular, baseada na troca de saberes, na vivência comunitária e na evangelização inculturada.
O artigo ressalta que as reduções instaladas no atual território gaúcho representaram a etapa final do projeto missioneiro desenvolvido pela Companhia de Jesus na região do Prata. Ao longo dos séculos, os Sete Povos das Missões deixaram marcas profundas na cultura, na espiritualidade e na identidade do Rio Grande do Sul.
Entre os personagens lembrados pelo cardeal está o Padre Roque González de Santa Cruz, fundador da redução de São Nicolau e um dos principais evangelizadores da região. Natural do Paraguai, o sacerdote dominava a língua guarani e participou da implantação de diversas reduções na América do Sul.
Outro nome destacado é o do jesuíta austríaco Antonio Sepp von Rechegg, reconhecido por sua atuação nas áreas da música, arquitetura, pintura, escultura e urbanismo. Conforme o artigo, além de contribuir para o desenvolvimento artístico das missões, Padre Sepp também é considerado precursor da siderurgia no Rio Grande do Sul.
A reflexão também recorda a figura de Sepé Tiaraju, líder indígena nascido na redução de São Luiz Gonzaga, em 1723. Símbolo da resistência guarani, Sepé enfrentou os impérios português e espanhol durante os conflitos relacionados ao Tratado de Madrid, tornando-se referência histórica na defesa do povo indígena e de suas terras.
Ao concluir o artigo, Dom Jaime destaca a importância da celebração dos 400 anos das Missões Jesuítico-Guaranis como momento de memória e reflexão sobre a identidade do povo gaúcho. ‘Assim, neste ano, temos a oportunidade de revisitar as raízes culturais do nosso Estado e de refletir sobre a contribuição duradoura dos Sete Povos das Missões para a formação da nossa cultura e a vivência da nossa fé’, afirma Dom Jaime.
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